Nomeada há uma semana pelo presidente americano, Donald Trump, a porta-voz da Casa Branca, Katie Zacharia, deixou o cargo nesta sexta-feira (16) após um início constrangedor. Zacharia, de 41 anos, protagonizou uma das passagens mais breves de que se tem notícia.
A saída ocorreu depois de admitir que não possuía, como havia alegado, a licença para exercer a advocacia. Ex-porta-voz do Departamento de Segurança Interna e defensora ferrenha de Trump, Zacharia participou de uma única coletiva de imprensa no pódio da Casa Branca na última terça-feira, uma das mais curtas da história recente: 14 minutos e três perguntas respondidas.
"Eu disse a ela: "Katie, isso é para você?"", declarou Trump nesta sexta-feira aos jornalistas, antes de embarcar para um comício na Geórgia. Na véspera, Zacharia havia admitido em uma entrevista televisiva que é formada em Direito, mas que nunca foi aprovada no exame da ordem dos advogados. "Eu disse a ela: "Katie, você não precisa fazer isso"... No seu lugar, eu repensaria"", declarou Trump.
Uma fonte da Casa Branca confirmou, em seguida, que Zacharia deixaria o cargo. Esta não é a primeira vez que Trump retira o apoio ao seu porta-voz: Anthony Scaramucci foi nomeado em julho de 2017 e permaneceu no cargo por apenas onze dias. Scaramucci tornou-se, posteriormente, um dos críticos mais ferrenhos de Trump dentro do Partido Republicano.
- Nova chefe de imprensa de Trump admite que reprovou no exame de advocacia
- Trump pede renúncia da embaixadora dos EUA na Grécia
Trump encara a relação com a imprensa como um combate sem tréguas, e o cargo de porta-voz da Casa Branca torna-se ainda mais difícil, pois exige adotar esse tom hostil e, ao mesmo tempo, atender às solicitações incessantes dos correspondentes credenciados. Ex-estrela da televisão, Trump acompanha atentamente as aparições públicas de membros de seu governo, não hesitando em elogiá-los ou criticá-los publicamente logo em seguida.
Zacharia mostrou-se insegura em sua breve fala no púlpito de porta-voz e, mais tarde, ao ser questionada ao lado de Trump nos jardins da Casa Branca, cometeu a gafe de afirmar que havia obtido o título de advogada antes de viajar para a China. A saída da porta-voz da Casa Branca representa um novo revés para Trump a três semanas de eleições legislativas decisivas, que marcarão a segunda metade de sua presidência. Os republicanos enfrentam o pleito com as pesquisas desfavoráveis e, além disso, em clara desvantagem na arrecadação de fundos para a campanha.
Consultora na China
Zacharia formou-se em Direito pela Universidade Pepperdine em 2011. Ela afirma ter atuado com consultoria jurídica antes de se mudar para a China para trabalhar com o marido, onde exerceu a profissão na área de Direito Comercial Internacional.
Em entrevista à emissora conservadora Fox News, Zacharia explicou que aceitou com entusiasmo a proposta de Trump para se tornar a nova porta-voz, ressaltando que o presidente compreendia perfeitamente que ela tinha quatro filhos e não estava disposta a passar noites inteiras trabalhando.
Zacharia não integrava a comitiva que acompanhava Trump nesta sexta-feira a um comício eleitoral na Geórgia. Ocupando um alto cargo na empresa da família Trump voltada para novas mídias, Zacharia substituiu Karoline Leavitt, que deixou o posto em agosto após dar à luz. Leavitt era uma das defensoras públicas mais proeminentes do segundo governo Trump.