a noite de violência chegou à cidade de Manchester (noroeste) e deixou três mortos em Birmingham (centro), aparentemente membros de um grupo de autodefesa da localidade. O premiê anunciou que a polícia será autorizada a utilizar "todas as táticas que considerar necessárias".
Os jatos d'água estavam reservados até agora para a repressão na Irlanda do Norte, una província britânica confrontada regularmente a choques políticos-religioso.
Quarta noite de distúrbios
Na quarta noite de distúrbios, grupos de jovens destruíram o centro de Manchester. Os saqueadores também atacaram em várias cidades industriais do centro da Inglaterra, incluindo Birmingham.
Em Londres, no entanto, não foram vistas as cenas de violência que deixaram as ruas de várias zonas da capital em chamas na segunda-feira. Grupos de autodefesa foram formados para proteger os bairros e o governo mobilizou 16 mil policiais.
As forças de segurança prenderam mais de 1,1 mil pessoas em todo o país por atos de violência e saques, iniciados na noite de sábado no bairro Tottenham (zona norte de Londres), após a morte de um homem de 29 anos em uma ação policial.
Corte de policiais
O prefeito de Londres, Boris Johnson, que pertence ao Partido Conservador de Cameron, pediu ao Executivo que reconsidere os planos de cortar o número de policiais como parte das drásticas medidas de austeridade destinadas a reduzir o déficit orçamentário.
A oposição não poupa críticas e alega que os cortes nos serviços sociais e o fracasso na administração dos problemas sociais profundos contribuíram para a explosão dos distúrbios.
Início dos confrontos
Algumas das zonas mais pobres da Grã-Bretanha explodiram na terça-feira, como no bairro de Toxteth em Liverpool (noroeste). Grupos de jovens mascarados incendiaram vários edifícios em West Bromwich e em Wolverhampton (centro da Inglaterra), enquanto outros lançaram coqueteis molotov contra uma delegacia em Nottingham. A violência também sacudiu Gloucester (oeste da Inglaterra).
O epicentro ontem foi Manchester, onde a polícia teve que recuar diante de centenas de jovens enfurecidos. Em Birmingham, a segunda cidade em tamanho do país, a polícia prendeu um homem e abriu uma investigação após a morte de três homens asiáticos.
Segundo a BBC, as vítimas haviam acabado de deixar uma mesquita e integravam um grupo de autodefesa do bairro. Quase 200 pessoas se reuniram ao redor do hospital que recebeu as vítimas. A polícia não confirmou se as mortes estavam diretamente relacionadas aos distúrbios.
Até o momento o único morto confirmado é um homem encontrado em um carro no bairro de Croydon, zona sul de Londres, com um tiro na cabeça. A violência levantou dúvidas sobre a segurança a menos de um ano dos Jogos Olímpicos de Londres e obrigou o cancelamento do amistoso entre Inglaterra e Holanda, que seria disputado no estádio de Wembley.
Grupos de autodefesa
Centenas de habitantes de Londres se organizaram na madrugada desta quarta-feira em grupos de autodefesa. Em Southall, no oeste, centenas de Sikhs, alguns vestidos com roupas tradicionais, se reuniram em um templo após boatos de que poderiam ser alvo dos vândalos. Eles organizavam patrulhas de moto e vigiavam a estação local para prevenir a possível chegada de agressores.
Em Enfield, distrito do norte de Londres muito afetado pelos distúrbios das noites anteriores, cerca de 200 moradores percorriam as ruas em patrulha. Um vídeo amador divulgado nesta quarta-feira mostra um grupo de 100 pessoas gritando "Inglaterra, Inglaterra, Inglaterra" em uma rua de Enfield.
No distrito de Eltham, sudeste de Londres, ao menos 100 pessoas saíram às ruas para defender sua zona. "Este é um bairro de operários brancos e estamos aqui para proteger nossa comunidade", disse um homem ao jornal The Guardian. "Estamos aqui para ajudar a polícia. Minha mãe está aterrorizada pelo que viu na televisão nos três últimos dias e decidimos que isto não ocorrerá aqui."
Nos bairros de Hackney e Kentish Town, ao norte de Londres, vários comerciantes, incluindo muitos turcos, protegiam suas lojas, alguns com armas improvisadas.