O primeiro-ministro trabalhista britânico, Keir Starmer, viajará para Washington na quinta-feira (27) para tentar convencer o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que garantias de segurança são necessárias para qualquer acordo de cessar-fogo com a Rússia na Ucrânia. Starmer viaja a Washington poucos dias depois da visita do presidente francês, Emmanuel Macron, que afirmou na segunda-feira que uma 'trégua' é possível 'nas próximas semanas'.
O principal objetivo de Keir Starmer será fazer com que Trump e os Estados Unidos forneçam uma rede de segurança, talvez na forma de cobertura aérea e logística, para qualquer eventual envio de tropas europeias à Ucrânia para supervisionar um cessar-fogo. Reino Unido e França lideram a proposta de enviar uma 'força de segurança' de milhares de soldados europeus para proteger a Ucrânia se os combates cessarem.
O governo Trump descartou o envio de tropas, mas Starmer diz que a 'rede de segurança' dos EUA é essencial para impedir a Rússia de 'lançar outra invasão em poucos anos'. Ansioso por convencer o presidente americano, Starmer 'será muito relutante em criticar Trump publicamente, mas terá que encontrar uma maneira de fazê-lo de forma diplomática, pelo bem da Ucrânia', explica Evie Aspinall, diretora do centro de pesquisa britânico 'Foreign Policy Group'.
O primeiro-ministro britânico também insistirá que a Ucrânia participe das negociações para acabar com a guerra iniciada pelo governo de Vladimir Putin há três anos, enquanto os Estados Unidos surpreenderam a Europa ao iniciar negociações apenas com a Rússia. Publicamente, Starmer já tentou apaziguar Trump ao dizer que está preparado para enviar forças de paz britânicas ao terreno, assim como a França.
Apoio a Zelensky
Ao contrário de outros líderes europeus, Starmer tentou evitar se opor publicamente a Trump, mas na semana passada deu seu 'apoio' ao presidente ucraniano 'democraticamente eleito', Volodimir Zelensky, depois que o presidente americano o chamou de 'ditador'. Trump acusou tanto o presidente francês quanto o primeiro-ministro britânico de não fazerem 'nada' para acabar com a guerra na Ucrânia. Keir Starmer, no entanto, espera ser uma 'ponte' entre os Estados Unidos e a Europa.
Outras questões tensas também estão na agenda de Starmer, incluindo as próximas tarifas de 25% anunciadas por Trump sobre o aço e o alumínio. A intenção de Keir Starmer de transferir para as Ilhas Maurício o controle de Chagos, um arquipélago estratégico no Oceano Índico onde há uma base militar americana-britânica na ilha de Diego Garcia, também pode aumentar as tensões.