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Presidência da COP21 submete projeto de acordo final aos 195 países participantes

Segundo presidente da conferência, se for adotado, texto representará mudança histórica

 Laurent Fabius fez discurso emocionado ao apresentar documento
Laurent Fabius fez discurso emocionado ao apresentar documento Foto : Philippe Wojazer / POOL / AFP / CP
A presidência francesa da conferência internacional sobre o clima apresentou, neste sábado, aos delegados de 195 países o projeto de acordo final, que visa limitar o aquecimento global, durante uma sessão plenária carregada de emoção e aplausos.

O texto de compromisso é "justo, duradouro, dinâmico, equilibrado e juridicamente vinculativo", declarou o ministro das Relações Exteriores francês e presidente da COP21, Laurent Fabius, em seu discurso de apresentação. "Se for adotado, este texto representará uma virada histórica", acrescentou, com a voz embargada e os olhos cheios de lágrimas.  "Estamos quase no final da estrada e, provavelmente, no início de outra", declarou o ministro.

No início da apresentação, ele agradeceu seu antecessor Manuel Pulgar-Vidal, o que provocou uma salva de palmas.
Fabius convidou as delegações a analisar o texto e retornar para a plenária às 15h45min (12h45min de Brasília), quando deverá haver a aprovação ou não do texto.

"O texto que nós construímos juntos apresenta o melhor equilíbrio possível, um equilíbrio que é ao mesmo tempo poderoso e delicado, e que permitirá a cada delegação, a cada país, retornarpara casa de cabeça erguida e com ganhos significativos", ressaltou.

Quanto ao conteúdo, o projeto confirma o objetivo "de conter o aumento da temperatura média bem abaixo de 2º C e de se esforçar para limitar o aumento dos termômetros a 1,5ºC, o que reduziria significativamente os riscos e impactos relacionados às mudanças climáticas", informou.

Sobre a questão espinhosa do financiamento, o texto propõe um mínimo de 100 bilhões de dólares anuais para os países em desenvolvimento a partir de 2020 para combater o aquecimento global. Este montante deverá ser revisado "o mais tardar em 2025", acrescentou Fabius aos delegados de 195 países reunidos perto de Paris aos apresentar o texto. "O sucesso está nas mãos de todos nós aqui reunidos. Vocês vão agora decidir sobre um acordo histórico, o mundo inteiro nos assiste", afirmou.

Este apelo foi reforçado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que exortou todos os países a "terminar o trabalho" e adotar um pacto contra o aquecimento global. "O fim está próximo. Vamos terminar o trabalho agora. O mundo está assistindo. Milhões de pessoas dependem de sua sabedoria", declarou Ban aos delegados.

O presidente francês, François Hollande, exortou, por sua vez, os 195 países representados em Paris a dar "o passo decisivo" e adotar o acordo. Falando de um "grande passo para a humanidade", o chefe de Estado francês apelou aos delegados para fazer este "12 de dezembro um dia não só histórico, mas uma data importante para a humanidade". "A França pede, a França os exorta a adotar o primeiro acordo universal de nossa história", acrescentou. Parecendo pouco otimista, o secretário de Estado americano, John Kerry, considerou que o acordo "deve ser bom, mas veremos. Pequenas coisas podem acontecer, mas acreditamos estar nos trilhos".