A presidente do México, Claudia Sheinbaum, convocou para este sábado (6) uma manifestação em massa na capital mexicana para fortalecer seu governo de esquerda, após um mês difícil, marcado por crises de segurança e turbulências políticas internas.
"Encerramos 2025 com a celebração histórica de sete anos de transformação. Vamos defender juntos as conquistas do povo", publicou a presidente na rede social X, referindo-se aos seus primeiros meses de gestão e ao governo de seu antecessor, Andrés Manuel López Obrador (2018-2024).
Crises internas
Apesar de gozar de altos níveis de popularidade desde que assumiu o poder em outubro de 2024, a gestão de Sheinbaum tem sido manchada pela profunda crise de segurança.
A turbulência começou no mês passado, com o assassinato de Carlos Manzo, prefeito no estado de Michoacán, que empreendeu uma cruzada contra o crime organizado. Seu assassinato gerou manifestações em massa, e um protesto no mês passado em nome da Geração Z tornou-se a primeira passeata antigovernamental violenta do seu mandato, e deixou mais de 100 feridos.
Dias depois, ocorreu a renúncia abrupta do procurador-geral Alejandro Gertz, que ficaria no cargo até 2028. A própria presidente pediu a saída dele, com queixas de má coordenação da estratégia contra o crime organizado.
Manifestação
Segundo analistas, os problemas da presidente não vêm apenas de seus opositores, mas de dentro de seu próprio partido, o Morena. A manifestação na principal praça do país é vista como uma "tentativa de apoio interno, de reformular a narrativa, de convocar à união", explicou à AFP o analista político Pablo Majluf.
Majluf ressaltou a ironia da situação: "O mais interessante e irônico é que quem mais enfraquece Sheinbaum não é a oposição, que está aniquilada, completamente fora de jogo, e sim seu próprio movimento político". Essa divisão estaria relacionada, segundo analistas, a um dos homens de confiança do ex-presidente López Obrador, Adán Augusto López, ex-secretário do Interior.
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Nível de aprovação em queda
Embora seja muito popular, a presidente começa a ver níveis de desaprovação, segundo pesquisas.
Encerrou outubro com uma aprovação de 74%, em novembro passou para 73%, e começa dezembro com 71%, enquanto a desaprovação passou de 25% para 28%, segundo o resumo do condensado de pesquisas da Polls MX.
O colunista político Hernán Gómez Bruera descreve Sheinbaum como "uma presidente incrivelmente eficiente", que gosta de ter controle, mas que "tem dificuldade em lidar com divergências".
A esquerda mexicana se vangloria de ter reduzido a pobreza em cerca de 30% desde 2018.
Espera-se que o governismo mobilize seus apoiadores neste sábado para mostrar sua força política. A presidente do Morena, Luisa María Alcalde, publicou: "A um dia de nos reencontrarmos no Zócalo para celebrar os primeiros sete anos de transformação, o povo responde com sua confiança".