Gianfranco Fini lançou nesta sexta-feira um desafio a seu ex-aliado Silvio Berlusconi, recusando-se a pedir demissão da presidência da Câmara dos Deputados e se colocando como defensor da "legalidade" na Itália, em um momento de deserções nas tropas do governo. Trinta e dois aliados anunciaram que deixavam o Partido do Povo da Liberdade (PDL), a grande formação de direita fundada em março de 2009 por Berlusconi.
Esses deputados, entre os quais estão vários ministros, criaram um grupo autônomo na Câmara baixa, "Futuro e Liberdade para a Itália", o que poderá deixar o chefe de governo sem a maioria absoluta. Fini anunciou que esses políticos "não hesitarão em se opor a escolhas do Executivo injustas ou contrárias ao interesse geral", mas que "apoiarão" o governo quando apresentar medidas que estiverem em conformidade com o programa do PDL.
Na quinta-feira à noite, após meses de tensões crescentes entre os dois aliados, Berlusconi pressionou Fini a deixar a Presidência da Assembleia por considerar suas posições "incompatíveis" com as de seu partido. "Evidentemente, não me demitirei porque todos sabem que o presidente deve garantir o respeito à Constituição e à conduta imparcial da atividade da Câmara, e não apenas à maioria que o elegeu", respondeu Fini, apresentando-se como garantidor da "legalidade".
Berlusconi tem a maioria
Berlusconi dispunha até então de uma confortável maioria - 342 assentos -, enquanto a minoria absoluta é de 316, graças principalmente ao apoio do partido populista da Liga do Norte, outro grande aliado de Berlusconi. Mas ele poderá ter dificuldades a partir de agora para aprovar textos cruciais, como suas reformas do judiciário, e será obrigado a negociar com deputados indecisos.
Apesar de alguns políticos da oposição já considerarem o governo acabado, Berlusconi afastou esse panorama. "Não há risco algum. Possuímos a maioria", assegurou "Il Cavaliere", rejeitando a possibilidade de eleições antecipadas antes da 2013.
O principal grupo da oposição, o Partido Democrata (PD), estimou que o governo Berlusconi "havia deixado de existir". O presidente da legenda, Pier Luigi Bersani, exigiu a formação de um gabinete de transição tendo como base uma plataforma de medidas compreendendo leis eleitorais, iniciativas econômicas e sociais assim como normas contra a corrupção. "Não se pode esperar um barco flutuar com tantas brechas", disse.
Presidente da Câmara italiana desafia Berlusconi
Gianfranco Fini não quis pedir demissão do cargo que ocupa