Assad acusou de "bárbaros" os autores do massacre de Houla, que deixou 108 mortos no dia 25 de maio, sendo 49 delas crianças, e que comoveu a opinião pública internacional.
O discurso de mais de uma hora de Assad foi realizado em um momento no qual têm se multiplicado os pedidos internacionais por um fim à sangrenta violência na Síria, onde o regime continua reprimindo a revolta popular e onde os combates entre soldados e rebeldes têm se intensificado.
O plano de saída da crise do mediador da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, previa o cessar fogo, mas ficou apenas no papel e a Síria continua à beira de uma guerra civil, dizem os dirigentes internacionais, que continuam divididos com relação aos meios de solucionar o conflito.
"A Síria é alvo de um plano de destruição", disse Assad durante seu discurso, realizado ante o novo Parlamento e transmitido pela televisão, no qual se apresentou como uma barreira contra o "terrorismo que se eleva".
Esforços políticos esgotados
O presidente sírio, que não reconhece os movimentos de protesto e os vê como "terrorismo", disse que seu regime "tentou utilizar de todos os meios políticos", mas seus esforços foram em vão porque o país enfrenta "uma verdadeira guerra estimulada pelo estrangeiro e os meios para enfrentá-la são diferentes".
De acordo com Assad, os responsáveis pelo terrorismo não estão interessados no diálogo ou em reformas, pois possuem uma missão e não pararão até que a cumpram, ou até que sejam detidos. "A Síria está aberta a todos os sírios, sejam quais forem suas opiniões, mas o terrorismo não pode formar parte do processo político e devemos lutar contra ele para curar a nação. Vamos seguir lutando contra o terrorismo", afirmou.
Sem diálogo com oposição
Assad descartou ainda qualquer diálogo com os opositores vinculados ao exterior, em alusão ao Conselho Nacional Sírio (CNS), o principal componente da oposição, baseado no exterior. No início de seu discurso, Assad homenageou a "todos os mártires, civis ou militares" e afirmou que o sangue destes não foi derramado em vão.
Tanto a rebelião quanto o regime sírio rejeitam a responsabilidade pela matança, mas um alto responsável da ONU disse que pesavam "fortes suspeitas" sobre as milícias favoráveis ao regime. Uma investigação internacional independente está em curso.
Assad, cuja família está no poder há quatro décadas, tem feito poucas aparições públicas desde o início da revolta popular de 15 de março de 2011, mas sempre que as fez, alegou a existência de um complô de grupos terroristas estrangeiros para semear o caos no país.
Mais de 13,4 mil pessoas foram mortas nos últimos 15 meses, a maioria civis vítimas da repressão, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). A revolta popular tem se militarizado com o passar dos meses. A violência continua deixando dezenas de mortos diariamente, apesar da presença de quase 300 observadores da ONU encarregados de vigiar o cessar fogo proclamado em 12 de abril, que tem sido sistematicamente infringido.