Segundo um correspondente da AFP, manifestantes egípcios atearam fogo na sede do partido do governo no Cairo. Uma nuvem de fumaça saía do edifício, depois de choques entre policiais e populares.
Manifestantes também colocaram fogo em duas delegacias de polícia. O diplomata Mohamed ElBaradei, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2005, quando era diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), segue em prisão domiciliar em um subúrbio da capital.
ElBaradei, visto como candidato da oposição para a eleição presidencial marcada para outubro deste ano, voltou ao Cairo ontem à noite e participou de uma cerimônia de orações em uma praça da capital hoje pela manhã, antes de ser detido.
Bloqueio de telefones e internet
Nesta sexta, a Vodafone e a France Telecom, empresas que operam telefonia celular no Egito, informaram que o governo do país ordenou a suspensão desses serviços. Segundo a britânica Vodafone, todas as companhias de telefonia móvel receberam instruções para interromper suas atividades em algumas áreas. O governo também tem impedido o acesso à internet.
Pela lei egípcia, as autoridades têm o direito de emitir esse tipo de ordem, e a Vodafone é obrigada a cumpri-la, informou a empresa em comunicado enviado à agência Dow Jones. O porta-voz da empresa não quis comentar o assunto. A Vodafone é a maior operadora de telefonia celular do mundo e a maior companhia do setor no Egito em número de clientes e receita.
A France Telecom também informou que as autoridades egípcias tomaram medidas para bloquear os serviços de telefonia móvel. "As autoridades egípcias tomaram medidas técnicas que estão impedindo nossos clientes de usarem seus telefones celulares", afirmou o porta-voz da France Telecom.
A France Telecom é sócia, com a Orascom Telecom, da Egyptian Co. for Mobile Services, também conhecida como Mobinil, que tem 25 milhões de clientes no Egito. Até o momento, a empresa francesa disse não ter informações sobre quando o serviço pode voltar a funcionar. As informações são da Dow Jones.
Os quatro principais provedores de serviços da internet (ISPs) do Egito cortaram todo o acesso internacional a seus clientes em uma ação quase simultânea e sem precedentes. "Praticamente todos os endereços de internet no Egito também estão inacessíveis, mundialmente", afirmou James Cowie de Renesys, uma companhia de New Hampshire que monitora a transmissão de dados pela internet em tempo real.
"Em uma ação sem precedentes na história da internet, o governo egípcio parece ter dado a ordem aos provedores para apagar todas as conexões internacionais", explicou Cowie em um blog.
Polícia dispersa manifestantes
Os protestos contra o presidente egípcio, Hosni Mubarak, se estenderam por toda a capital Cairo nesta sexta-feira, dia tradicional de orações, quando milhares de pessoas saíram às ruas para pedir a queda do regime. A polícia tentou dispersar a multidão usando gases lacrimogêneos e jatos de água.
Os fieis oravam diante de uma grande mesquita do bairro de Guiza, e gritavam "Abaixo (o presidente) Hosni Mubarak!" imediatamente depois de terminada a prece. O quarto dia de protestos recebeu, além disso, o apoio da Irmandade Muçulmana, principal força da oposição.
Os protestos no Egito se seguem ao levante popular que derrubou o presidente Zine al-Abidine Ben Ali na Tunísia, no último dia 14. A dimensão, porém, é bem maior: o Egito é o mais populoso dos países árabes, com 80 milhões de habitantes (enquanto a Tunísia tem 10 milhões), além de ser parceiro estratégico dos Estados Unidos (que dão uma ajuda militar de US$ 2 bilhões por ano ao regime de Mubarak) e de Israel. As informações são da Dow Jones.