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Presidente do Egito demite premiê para se manter no poder

Novo gabinete ministerial será divulgado neste sábado, segundo Hosni Moubarak. Nas ruas, protestos continuam

Segundo fontes médicas, pelo menos 20 pessoas morreram e centenas ficaram feridas nos confrontos desta sexta-feira
Segundo fontes médicas, pelo menos 20 pessoas morreram e centenas ficaram feridas nos confrontos desta sexta-feira Foto : Marco Longari / AFP / CP
O presidente egípcio Hosni Moubarak anunciou na madrugada deste sábado (hora local), noite de sexta (hora do Brasil), em pronunciamento transmitido pela televisão estatal à nação, a dissolução do governo. Moubarak prometeu fortalecer a democracia e afirmou que um novo gabinete será formado neste sábado.

O discurso foi proferido após diversos dias de protestos da população contra o regime em todo o país. Durante a sexta-feira, o regime de Hosni Mubarak fez um apelo ao exército e decretou o toque de recolher em três grandes cidades do Egito, entre elas o Cairo, para enfrentar o movimento de contestação que se tornava cada vez mais amplo.

No quarto dia de protestos, os mais importantes, desde a chegada ao poder de Mubarak, em 1981, os sinais de preocupação se multiplicavam no exterior. Os Estados Unidos exigiram de seu aliado que contenham as forças de ordem e se comprometam com reformas políticas "imediatas".

Os manifestantes pedem a saída de Mubarak que, por sua vez, ordenou ao exército - espinha dorsal de seu regime - fazer respeitar a segurança nas ruas, junto com a polícia. O toque de recolher foi decretado no Cairo, em Alexandria (norte) e em Suez (leste) entre 18h (16h GMT) e 7h (5h GMT), até nova ordem. A agência oficial Mena havia informado antes que a medida havia sido ampliada para todo o país, voltando atrás na informação, em seguida.

Segundo fontes médicas, pelo menos 20 pessoas morreram e centenas ficaram feridas nos confrontos desta sexta-feira, o que eleva o número de mortos a 27, em todo o país, desde o dia 25 de janeiro. Dezenas de milhares de egípcios responderam ao apelo para participar do "Dia de Ira" à saída das mesquitas depois das orações de sexta-feira para pedir o fim do regime de Mubarak, no poder há 30 anos.

Na capital egípcia, duas delegacias foram incendiadas, assim como a sede do partido no poder. A multidão enfrentou a pedradas as forças de segurança, que usaram granadas de gás lacrimogêneo, jatos d'água e balas de borracha para tentar dispersá-la. Em Suez, manifestantes se apoderaram das armas de uma delegacia, pondo fogo no prédio em seguida. Cerca de mil pessoas haviam sido detidas até a manhã de sexta-feira.

O protesto está inspirado na "Revolução dos jasmins", um levantamento popular que derrubou neste mês o presidente tunisiano Ben Ali, no poder havia 23 anos, e gerou uma onda de contestação em todo o mundo árabe.

O presidente da Comissão de Relações Exteriores da Assembleia, também membro do Partido Nacional Democrata no poder, pediu nesta sexta-feira ao presidente empreender "reformas sem precedentes" para evitar uma "revolução". "Em nenhuma parte do mundo a segurança é capaz de pôr fim à revolução", disse Mustafá Al Fekki à televisão Al Jazeera.

O opositor e Prêmio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, que se disse disposto a liderar um governo de transição, também participou de manifestações no Cairo. A jornada recebeu apoio da Irmandade Muçulmana, principal força da oposição, que até agora apoia sem grande entusiasmo as marchas convocadas por núcleos de jovens com aspirações democráticas.

O presidente americano, Barack Obama, frisou que "a violência não é uma uma solução para os problemas do Egito". Nesta sexta-feira, a Casa Branca considerou a situação "profundamente preocupante" e pediu ao governo egípcio o "respeito aos direitos fundamentais, para evitar a violência e permitir as comunicações".

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