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Presidente do Irã acusa Ocidente de "intimidação" nuclear em discurso na ONU

Fala de Mahmoud Ahmadinejad foi boicotada por representantes dos EUA e Israel

Mahmoud Ahmadinejad em discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque
Mahmoud Ahmadinejad em discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque Foto : Spencer Platt / Getty Images North America / AFP / CP
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, acusou o Ocidente de "intimidação" nuclear, em discurso anual na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque nesta quarta-feira, segundo informações da agência de notícias BBC Brasil. Ahmadinejad criticou o que chamou de "unilateralismo, imposição de guerras e ocupações para garantir interesses econômicos", além da "corrida armamentista e intimidação por armas nucleares". Também citou "a contínua ameaça de sionistas de recorrer à ação militar" (em referência à possibilidade de Israel atacar o Irã para impedir que o país persa obtenha armas nucleares). O discurso foi boicotado pelos Estados Unidos e por Israel. Na véspera, em sua fala perante a Assembleia Geral da ONU, o presidente norte-americano, Barack Obama, havia dito que fará "tudo o que puder" para impedir um Irã nuclear.

Ao se reunir na terça com os líderes religiosos dos países muçulmanos, o presidente do Irã disse que a discussão sobre armas não pode ser predominante nas relações multilaterais. Ahmadinejad negou irregularidades no programa nuclear iraniano, suspeito de produção de armas atômicas segundo parte da comunidade internacional. Para o presidente iraniano, o programa desenvolvido no país é utilizado como “ferramenta” para atacar o Irã.

“O programa nuclear iraniano é usado como uma ferramenta nas mãos de potências hegemônicas. Não há (avaliações) técnicas nem legais (sobre o programa nuclear iraniano)”, disse Ahmadinejad. “(O programa do Irã) segue os regulamentos da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea). A nação iraniana tem o pleno direito de desenvolver energia limpa.”

O presidente iraniano disse que o país é alvo de sanções internacionais há 18 anos. Segundo ele, o governo dos Estados Unidos lidera a campanha contra os iranianos. Para Ahmadinejad, há interesses externos em retomar a hegemonia política e econômica, que não é comportada no mundo atual. “A nação iraniana não tem medo de nada”, disse ele.

Ahmadinejad defendeu a reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). O órgão é formado por 15 membros, dos quais apenas cinco têm assentos permanentes. O Brasil pleiteia uma vaga e sugere a ampliação do órgão. “Enquanto há quase 200 países do mundo que integram a organização, as decisões são tomadas por apenas alguns países”, disse Ahmadinejad.

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