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Presidente do Uruguai firma decreto sobre legalização da maconha

Usuários poderão comprar até 10 gramas semanais nas farmácias autorizadas

Presidente do Uruguai firma decreto sobre legalização da maconha
Presidente do Uruguai firma decreto sobre legalização da maconha Foto : Martin Bernetti / AFP / CP
O presidente do Uruguai, José Mujica, firmou nesta terça-feira o decreto que estabelece como será implementada a lei - aprovada em dezembro passado - que legaliza a produção, distribuição e venda da maconha no país. O decreto estabelece que os consumidores - maiores de 18 anos, residentes no país e inscritos como usuários - poderão comprar até 10 gramas semanais de maconha nas farmácias autorizadas.

A maconha legal terá 15% de concentração de tetrahidro cannabinol (THC), princípio psicoativo da cannabis, e será vendida em cinco variedades, ao custo de entre 20 e 22 pesos por grama (cerca de R$ 2,13). A maconha será plantada pela iniciativa privada em terras do Estado, e deverá chegar às farmácias até o final do ano.

A lei também permite o plantio para o consumo pessoal e em clubes de fumantes, que deverão estar inscritos no Instituto de Regulação e Controle de Cannabis (Ircca), que entrará em atividade nos próximos dias. O Uruguai se tornou em dezembro passado o primeiro país do mundo a regulamentar a produção, distribuição e venda da maconha, uma iniciativa promovida por Mujica para combater o tráfico de drogas.

"A principal bandeira da lei é o combate ao narcotráfico", disse Mujica no domingo. "No mundo do crime havia códigos, mas com o advento da cultura narco, vale tudo, qualquer coisa. Metodologicamente, contagia todas as outras formas de crime. A luta será muito longa", declarou.

O plano uruguaio tem sido criticado pela Junta Internacional de Fiscalização e Entorpecentes (JIFE), da ONU. Mas é visto com interesse por organizações civis e pela Organização de Estados Americanos (OEA), que em maio chamou a considerar uma eventual legalização da maconha como forma de luta contra o narcotráfico.

"Todos os países do hemisfério estão muito interessados no que está acontecendo aqui, há um debate muito aberto e há bastante interesse em ver como o processo continua", comentou Paul Simons, secretário executivo da Comissão Interamericana para o Controle do Abuso de Drogas (CICAD), da OEA, que visitou Montevidéu na segunda-feira.

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