Em sua página oficial do Facebook, Mursi, cuja renúncia é exigida por dezenas de milhares de pessoas reunidas na Praça Tahrir, no Cairo, convocou a formação de um governo para organizar eleições legislativas. Mais cedo, Muris se reuniu com o chefe do exército egípcio, Abdel Fatah al Sisi, o representante da oposição, Mohamed ElBaradei, chefes religiosos e representantes de partidos islamitas.
Em pronunciamento na TV, na terça-feira, o presidente egípcio culpou o ex-presidente Hosni Mubarak e influências estrangeiras por protestos. Mohamed Mursi ressaltou o caráter democrático de sua eleição e afirmou que pretende continuar no governo.
O chefe de Estado, que discursou à nação pela TV, declarou: "O povo me escolheu em eleições livres e justas". Ele acrescentou que "continuará a assumir a responsabilidade" do país e que "não há alternativa a não ser a legitimidade".
Ele acrescentou que está preparado para "dar sua vida" para proteger esta legitimidade. "A legitimidade é a única garantia contra o derramamento de sangue", acrescentou, respondendo implicitamente àqueles que consideram que sua saída permitiria resolver as tensões no país.
Mursi reafirmou que "as portas estão abertas para o diálogo nacional" para tirar o país da crise, o que já foi ignorado pela oposição algumas vezes por desconfiança. Ao mesmo tempo, o presidente alertou para "a armadilha da violência, na qual, se cairmos, não terá fim".
Durante a madrugada desta quarta-feira, 16 pessoas foram mortas e outras 200 ficaram feridas, quando homens não identificados atacaram um grupo de partidários do presidente egípcio no Cairo, anunciou o ministério da Saúde.
Movimento de rebelião
Na origem das gigantescas manifestações que reivindicam a renúncia de Mursi, o movimento Tamarod acusou o chefe de Estado de "ameaçar seu povo". "Esse presidente ameaça seu povo e, por esse fato, nós consideramos que ele não é mais presidente", declarou o líder do Tamarod (rebelião, em árabe), Mohamed Abdelaziz, logo após o discurso. Depois do pronunciamento de Mursi, a multidão reunida na praça Tahrir gritava: "Renuncie, renuncie! Não queremos você!".
Mursi está cada vez mais isolado após a renúncia de vários ministros, incluindo o das Relações Exteriores, Mohamed Kamel Amr, e de seu próprio porta-voz, Ehab Fahmy. O porta-voz do governo, Alaa al-Hadidi, também abandonou o cargo.
O plano do Exército egípcio para o caso de renúncia do presidente Mohamed Mursi prevê um governo provisório e a suspensão da Constituição por um período de até um ano, revelou nesta quarta-feira o site do jornal Al-Ahram.