A visita à pequena cidade do estado de Borno, nordeste do país, onde 276 adolescentes foram sequestradas do dormitório de sua escola em 14 de abril, havia sido anunciada nessa quinta-feira à noite. Este seria o primeiro gesto político mais veemente do presidente nigeriano, muito criticado pela inércia.
No total, 223 adolescentes continuam desaparecidas. Em um vídeo divulgado durante a semana, o grupo afirma ter convertido 130 delas ao islã. Debo Adeniran, da Coalizão contra os Dirigentes Corruptos, uma ONG com sede em Lagos, disse ter ficado "decepcionado" com o cancelamento da visita do presidente a Chibok e afirmou que a decisão envia uma mensagem negativa à população nigeriana. "Se como comandante em chefe das Forças Armadas tem medo de visitar Chibok, por motivos de segurança, está dizendo à população do nordeste que não pode protegê-los", afirmou.
Para Adeniran, o cancelamento da visita terá um efeito desastroso sobre a moral das tropas mobilizadas no nordeste do país. "Diz aos soldados que lutam contra o Boko Haram na região que eles estão sozinhos". "E para as garotas sequestradas, podem considerar que aquele que chamam de presidente é um covarde sem a moral de um líder. Todo mundo está decepcionado", completou Adeniran, que pediu a renúncia do presidente.