Gul, que já havia se oposto uma primeira vez ao primeiro-ministro quando ele ameaçou proibir o Facebook e o YouTube, em outubro, expressou novamente suas divergências. "Como já disse em várias ocasiões, é impossível bloquear inteiramente o acesso técnico a plataformas sociais como o Twitter", repetiu nesta sexta-feira o chefe de Estado, ressaltando que apenas uma ação judicial contra alguns sites poderia justificar um fechamento.
A Turquia bloqueou, na noite dessa quinta-feira, o acesso ao Twitter, algumas horas após Erdogan ameaçar proibir a rede social, havia informado o jornal local Hurriyet. "Nós vamos bloquear o Twitter. Não estou nem aí para o que a comunidade internacional vai dizer", afirmou Erdogan diante de milhares de simpatizantes durante um comício realizado a 10 dias das eleições municipais, previstas para o próximo dia 30 de março. "Eles verão a força da Turquia", provocou. O Twitter reagiu imediatamente e explicou que os turcos podem driblar o bloqueio enviando mensagens através de seus smartphones.
Em Bruxelas, a comissária europeia para Novas Tecnologias, Neelie Kroes, afirmou que a "proibição do Twitter na Turquia não tem fundamento, é inútil e covarde", e tanto o povo turco quanto a comunidade internacional a verão como "censura". Há três semanas, Erdogan virou alvo de investigações após a divulgação, nas redes sociais, de gravações de conversas telefônicas grampeadas. As escutas, que o chefe do governo havia inicialmente classificado de "montagens", antes de reconhecer a veracidade de algumas, provocaram a ira da oposição e causaram diversas manifestações nas maiores cidades do país, todas pedindo sua renúncia.
A partir de meados de dezembro, o premiê, que governa a Turquia desde 2002, está envolvido em escândalos de corrupção relacionados a desvios de dinheiro.