Primeira-ministra da Escócia estuda levar à Justiça batalha por novo referendo de Independência

Primeira-ministra da Escócia estuda levar à Justiça batalha por novo referendo de Independência

Nicola Sturgeon, cujo pedido de nova votação foi negado por Boris Johnson, afirmou que possibilidade de um referendo sem a permissão de Westminster "nunca foi testada em tribunal"

Correio do Povo

Na consulta do Brexit, 62% dos escoceses votaram por ficar na União Europeia

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A primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, incentivou os apoiadores da independência do país a permanecerem "concentrados e unidos" após a saída do Reino Unido da União Europeia, descrita por ela como "uma tristeza real e profunda tingida de raiva". A líder do Partido Nacionalista admitiu que pode não haver um segundo referendo de separação em 2020, mas pediu aos seus simpatizantes que não cedessem. "O que nós, no movimento da independência, não devemos fazer é permitir que uma sensação de frustração – por mais compreensível que seja –  nos derrube em becos sem saída", avaliou em discurso nesta sexta, em Edimburgo.

Há duas semanas, o primeiro-ministro inglês Boris Johnson rejeitou formalmente o pedido de Sturgeon de que os poderes legais realizassem uma nova consulta popular, seguindo a de 2014, na qual a permanência no Reino venceu por 55,30%. Recentemente, uma pesquisa apontou a independência na liderança – por 51% –, fato inédito desde 2015. "Se o governo do Reino Unido continuar negando o direito de escolha da Escócia, podemos chegar ao ponto em que é necessário que esse problema seja testado. Não estou descartando isso", avaliou, indicando que pode judicializar a votação. A questão de saber se o Parlamento escocês poderia organizar um referendo sem a permissão de Westminster "nunca foi sido testada em tribunal", apontou.

A primeira-ministra disse que não se podia afirmar "definitivamente" que ele "não seria legal, mas também não pode ser descrito como algo além de qualquer dúvida legal". "Se uma proposta de referendo sobre essa base fosse apresentada, ela seria contestada em tribunal. Se um tribunal decidisse que é legal, não seria um 'referendo selvagem', como nossos oponentes gostam de classificá-lo – isso seria da competência do Parlamento escocês", disse.

Respondendo a perguntas da mídia, Sturgeon garantiu que a questão seria mantida em constante revisão. Ela ainda acusou Johnson de ter medo. "A posição dos conservadores é um sinal de fraqueza, não de força", disse. “Se eles tivessem alguma confiança no argumento de Westminster, não teriam problemas com o povo da Escócia tendo o direito de escolher. É o medo da derrota que os deixa tão desesperados para nos negar a escolha”, completou.

A primeira-ministra defendeu ainda que sua posição era realista e não cautelosa. “Meu trabalho é oferecer um caminho que possa proporcionar independência. "Para alcançá-la, um referendo, seja quando ele acontecer - este ano como eu quero, ou após as próximas eleições na Escócia - deve ser legal e legítimo. Isso é um fato simples", concluiu.

Brexit

No referendo pela saída do Reino Unido da União Europeia, em 2016, os escoceses votaram por permanecer no bloco – 62% contra 38%. Nesta sexta, jornais da Escócia refletiram esse fato, com o Daily Record exibindo uma imagem zombada dos 50 pence com as palavras “isolado, pior, mais fraco e dividido”, enquanto o nacional pró-independência retratou uma única vela acesa com o apelo “deixe uma luz acesa para a Escócia”.

 


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