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Primeiro-ministro da Itália anuncia renúncia ao cargo

Conte pretende deixar posto após desentendimento com Salvini

Anúncio foi dado pelo político em discurso solene ao Senado
Anúncio foi dado pelo político em discurso solene ao Senado Foto : Andreas Solaro / AFP / CP

O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, anunciou nesta terça-feira sua renúncia e o fim do primeiro governo populista, acusando o líder da Liga Matteo Salvini de ser "irresponsável" ao romper a coalizão governamental em 8 de agosto.

Em um discurso solene perante o Senado, Conte criticou seu ministro do Interior, dizendo que ele apenas "perseguiu seus próprios interesses e os interesses de seu partido" ao tentar tirar proveito das pesquisas que os creditavam com uma grande maioria no parlamento, na sequência dos resultados recordes nas europeias (34%).

"Fazer os cidadãos votar é a essência da democracia, mas pedir a eles que votem todos os anos é irresponsável", disse Conte. "O país precisa urgentemente de medidas para promover o crescimento econômico e o investimento". "Estou interrompendo aqui essa experiência de governo. Pretendo concluir essa passagem institucional de maneira coerente. Irei ver o presidente da República para apresentar minha renúncia", disse Conte, ressaltando que antes pretende ouvir o debate programado para durar 3H45.

Em seu discurso contra Salvini, Conte acusou o vice-primeiro-ministro de causar "sérios riscos ao nosso país" e evocou o perigo de uma espiral econômica negativa para a terceira economia da zona do euro. Ele também acusou o líder da Liga (extrema direita) de "falta de respeito pelas regras e instituições", repreendendo-o por exigir eleições o mais rápido possível para obter "plenos poderes".

"Caro ministro do Interior, ouvi você pedir 'plenos poderes' e apelar para que seus apoiadores saiam às ruas para apoiá-lo, essa atitude me preocupa", acrescentou Conte. "Não precisamos de plenos poderes, mas de líderes com o senso de instituições", disse ele. Tendo chegado à chefia do país depois de uma marcha fascista em Roma, o ditador Benito Mussolini obteve em 1922 "plenos poderes" para dirigir como desejava a Itália durante o ano seguinte.