O primeiro-ministro do Haiti, Jean Max-Belerive, disse nesta quarta-feira, em entrevista à rede CNN que centenas de milhares de pessoas podem estar soterradas no país após o violento terremoto de ontem. O tremor, de 7 graus na escala Richter, causou devastação e fez desabar prédios do governo, escolas e hospitais na capital Porto Príncipe e arredores.
Ainda não há estimativa oficial sobre o total de mortos e feridos no país. Mas pelo menos 12 brasileiros já foram confirmados mortos: 11 militares e a médica Zilda Arns. A fundadora da Pastoral da Criança havia chegado ontem ao país para uma palestra e foi atingida por destroços de um edifício que desabou quando caminhava em uma rua da capital. Outros sete militares brasileiros estão feridos. E são sete desaparecidos.
O tremor, cujo epicentro foi registrado a apenas 16 km de Porto Príncipe, foi particularmente desastroso, segundo especialistas, porque ocorreu a pouca profundidade (10 km).
Tremor derrubou palácio presidencial
O terremoto de 7 graus na escala Richter deixou a capital Porto Príncipe em escombros. Destruiu o palácio presidencial, diversos prédios governamentais, além de hospitais e escolas.
Testemunhas que estão no país relatam um cenário de horror. A italiana Fiammetta Cappellini, representante no Haiti da organização humanitária Avsi, se abrigou na Embaixada do Brasil para sobreviver ao tremor. Ela disse à Ansa que o panorama na capital Porto Príncipe "é devastador": "É possível ouvir dos escombros os gritos de ajuda de quem ficou soterrado, e seus parentes estão impacientes, desesperados."
O coordenador da ONG Viva Rio André D’Ávila, carioca de 31 anos, que está no país descreveu como "caótica" a situação da capital do Haiti, Porto Príncipe, depois do terremoto de ontem: "O clima é de tristeza. As pessoas estão nas ruas, umas gritando desesperadas e outras cantando e rezando. No nosso centro comunitário já tem mais de 3000 pessoas desabrigadas. O clima é de medo e a população não tem ajuda para retirar os destroços."
Ministro da Defesa viaja ao Haiti
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, embarcou nesta quarta-feira para Belém, de onde aguardará autorização para ir até o Haiti. A escala foi feita em função de vistorias no aeroporto de Porto Príncipe para constatar se a pista de pouso e aterrissagem havia sido danificada pelo tremor. A pista já foi liberada.
O Brasil também anunciou ajuda em dinheiro para o Haiti no valor de R$ 17,3 milhões (US$ 10 milhões), o mesmo anunciado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Os brasileiros também prometeram ajudar mais do que a União Europeia (EU), que se comprometeu a enviar R$ 7,5 milhões (3 milhões de euros).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se disse consternado com a situação do país. O Brasil ainda vai enviar 14 toneladas de alimentos, doadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Veja a lista completa de brasileiros mortos no Haiti:
5º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lorena-SP
1 - 1º Tenente Bruno Ribeiro Mário
2 - 2º Sargento Davi Ramos de Lima
3 - 2º Sargento Leonardo de Castro Carvalho
4 - cabo Douglas Pedrotti Neckel
5 - cabo Washington Luís de Souza Seraphin
6 - soldado Tiago Anaya Detimermani
7 - soldado Antonio José Anacleto
2º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em SANTOS-SP
8 - cabo Ari Dirceu Fernandes
9 - soldado Kleber da Silva Santos
37º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lins-SP
10 - subtenente Raniel Batista de Camargos
Gabinete do Comandante do Exército, sediado em Brasília
11- coronel Emilio Carlos Torres dos Santos
Pastoral da Criança
12 - Zilda Arns
As informações são do R7.
Primeiro-ministro diz que centenas de milhares podem estar soterrados no Haiti
Pelo menos 12 brasileiros morreram