Após muitas críticas pela gestão da catástrofe do terremoto e tsunami de 11 de março, o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, jogou a toalha e abriu caminho para a eleição do sexto chefe de Governo em cinco anos em um país traumatizado e muito endividado. Kan anunciou a renúncia à presidência do Partido Democrata do Japão (PDJ) e a saída da chefia de Governo na próxima semana. "Renuncio hoje ao cargo de presidente do partido", declarou Kan a parlamentares do PDJ. "Assim que o novo presidente for eleito, abandonarei sem demora o posto de primeiro-ministro e meu governo pedirá demissão coletiva", disse.
O secretário-geral do PDJ, Katsuya Okada, confirmou que a eleição do sucessor de Kan acontecerá na segunda-feira com a presença dos 397 deputados e senadores do partido. O vencedor será eleito primeiro-ministro, provavelmente na terça-feira, pelo Parlamento.
No Japão, o presidente do partido majoritário na Câmara dos Deputados tem assegurada a nomeação como chefe de Governo, mesmo quando a oposição tem maioria no Senado, como é o caso atualmente.
Kan, de 64 anos e que foi eleito em junho de 2010, renunciou após meses de críticas da oposição - e dentro do próprio partido - por sua gestão, considerada calamitosa, da catástrofe de 11 de março, quando um terremoto e um tsunami afetaram o nordeste do Japão e provocaram um grave acidente nuclear na central de Fukushima.
Em junho, Kan prometeu que deixaria o governo depois que o Parlamento aprovasse três projetos de lei que ele considerava essenciais: a lei de ampliação do orçamento para a reconstrução das zonas afetadas pela catástrofe, votada em julho, e dois textos sobre a emissão de títulos do Estado para completar o orçamento e sobre o desenvolvimento de energias renováveis, que foram votados nesta sexta-feira.
"Hoje, as leis importantes foram votadas. Em 2 de junho disse que passaria o bastão a uma geração mais jovem. As condições apresentadas foram cumpridas", declarou Kan, que defende o abandono progressivo da energia nuclear pelo Japão após o acidente de Fukushima.
Ao fazer o balanço de seu governo, Kan reconheceu que existiram "momentos muito duros". "Acredito que fiz o que devia fazer em circunstâncias muito difíceis", completou.
Entre os favoritos para sucedê-lo figuram o ex-ministro das Relações Exteriores Seiji Maehara, de 49 anos, e o atual ministro das Finanças, Yoshihiko Noda, de 54, que defende o aumento do imposto sobre o consumo, atualmente de 5%.
Em caso de eleição, Maehara, contrário a um aumento de impostos, será o primeiro-ministro japonês mais jovem desde a Segunda Guerra Mundial.
Outros candidatos possíveis são o ministro da Economia, Comércio e Indústria, Banri Kaieda, o ministro da Agricultura, Michihiko Kano, e o ex-ministro dos Transportes Sumio Mabuchi.
"Tarehas extremamente difíceis esperam o próximo primeiro-ministro, começando pela reconstrução das zonas devastadas", afirmou Shinichi Nishikawa, cientista político da Universidade Meiji de Tóquio. "E esta mudança à frente do país dará mais uma vez ao resto do mundo a impressão de que o Japão é inconstante", completou.
Para completar, a agência de classificação financeia Moody's acaba de reduzir em um ponto, para Aa3, a nota da dívida a longo prazo do Japão em consequência de seu longo endividamento, mas também pela instabilidade política.