A Patagônia argentina enfrenta novamente o flagelo do fogo. Nesta terça-feira (6), milhares de hectares de floresta foram consumidos pelas chamas, levando o Serviço Nacional de Gestão do Fogo a decretar alerta vermelho em oito províncias do centro-sul do país até a próxima sexta-feira. O cenário de risco extremo é alimentado por ventos fortes, altas temperaturas e uma seca severa no início de 2026.
O foco mais crítico concentra-se em Puerto Patriada, na província de Chubut, onde 1.800 hectares já foram devastados. O governador Ignacio Torres confirmou a destruição de dez residências e a evacuação preventiva na localidade vizinha de Epuyén.
Além disso, a Agência Federal de Emergências monitora focos ativos em outros pontos de Chubut e Santa Cruz, totalizando mais de 500 hectares em chamas, enquanto outros 3 mil hectares estão sob estado de controle ou contenção.
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O fantasma de 2025 e o déficit de brigadistas
A tragédia atual ocorre apenas um ano após a região sofrer os piores incêndios em três décadas, quando 32 mil hectares foram reduzidos a cinzas. Segundo o Greenpeace Argentina, a magnitude das perdas em 2025 foi quatro vezes superior à temporada anterior.
O coordenador do programa de florestas da ONG, Hernán Giardini, alerta que a situação é agravada pelos cortes orçamentários do governo de Javier Milei na Administração de Parques Nacionais. Atualmente, o órgão conta com apenas 400 brigadistas para monitorar 5 milhões de hectares, um contingente 43% abaixo do mínimo recomendado para a segurança da jurisdição.
Mobilização comunitária frente ao avanço do fogo
Em localidades como El Hoyo, a população vive em estado de vigília constante. Relatos de moradores à AFP descrevem um avanço "a passos gigantes" das chamas, que surgiram na tarde de segunda-feira. Diante da estrutura estatal limitada, voluntários e moradores locais unem-se aos bombeiros para tentar conter o fogo que ameaça áreas residenciais e ecossistemas sensíveis da Patagônia andina.