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Protesto no Irã marca aniversário da tomada de embaixada dos EUA

Conservadores convocaram manifestação em Teerã

Protesto no Irã marca aniversário da tomada de embaixada dos EUA
Protesto no Irã marca aniversário da tomada de embaixada dos EUA Foto : AFP / CP
Os conservadores iranianos mobilizaram uma imensa multidão nesta segunda-feira, em ocasião do 34º aniversário da tomada da embaixada americana em Teerã, em sinal de descontentamento em relação à recente aproximação histórica com Washington. Aos gritos de "Morte à América" e "Morte a Israel", milhares de iranianos desafiaram os Estados Unidos e apoiaram a "resistência" do Irã às sanções ocidentais.

Para os conservadores, trata-se da oportunidade de marcar terreno após a vitória em junho de Hassan Rohani, um moderado apoiado por reformistas. Desde a sua eleição, o novo presidente tem mantido uma posição mais conciliadora com os ocidentais na crise nuclear, com o objetivo de permitir o fim das sanções que sufocam a economia do país.

As potências ocidentais e Israel suspeitam que o Irã tente produzir armas nucleares usando como pretexto um programa nuclear civil.A acusação é negada categoricamente por Teerã. O presidente Rohani multiplicou as iniciativas para relançar as negociações nucleares com os países do Grupo 5+1 (China, Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e Alemanha).

Em setembro, durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York, ele telefonou para o presidente Barack Obama, em um primeiro contato direto entre os líderes dos dois países desde a Revolução Islâmica de 1979. A atitude foi criticada por algumas autoridades conservadoras iranianas, incluindo o Guia Supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, que considerou "desapropriadas" algumas ações de Rohani em Nova York.

As potências mundiais devem voltar a se reunir com os negociadores iranianos em Genebra nos dias 7 e 8 de novembro, depois de um encontro realizado no mês passado entre as duas partes, no qual o Irã apresentou uma nova proposta. Apesar desses sinais de abertura, o aiatolá Khamenei advertiu no domingo os negociadores. "Nós não devemos confiar em um inimigo que nos sorri. Os americanos sorriem para nós e dizem que querem negociar, mas ao mesmo tempo, eles dizem que todas as opções estão sobre a mesa".

Ninho de espiões

As manifestações foram organizadas em várias cidades do país, segundo a televisão estatal. A mobilização foi maior do que nos anos anteriores em Teerã. Várias personalidades conservadoras, incluindo o chefe do Bassidj (milícia islamita) Mohammad Reza Naghdi, assim como vice-presidentes e vários ministros do governo de Rohani, marcaram presença, segundo a imprensa.

Em meio à multidão, manifestantes queimaram bandeiras americanas e israelenses. Os manifestantes também exibiram maquetes das centrífugas usadas para o enriquecimento de urânio, em sinal da "resistência da nação às sanções", de acordo com um cartaz. Para o ex-negociador nuclear e candidato à presidência em junho, Saeed Jalili, "o slogan 'morte à América' (entoado durante a cerimônia) não é dirigido ao povo americano, mas ao governo dos Estados Unidos que oprime outros povos".

"Nós dissemos ao mundo há 34 anos que a embaixada dos Estados Unidos era um local de espionagem e conspiração (...) hoje em dia, até mesmo amigos e aliados dos Estados Unidos chegaram à mesma conclusão", acrescentou em referência aos recentes escândalos de espionagem americana em todo o mundo. Para ilustrar o escândalo, um cartaz intitulado "A traição de Satanás" mostrava a chanceler alemã, Angela Merkel, com um telefone celular, que a Agência de Segurança Nacional americana (NSA) é acusada de grampear. Jalili, que havia sido criticado por sua recusa em fazer concessões como negociador nuclear, também reiterou seu apoio ao governo e à nova equipe de negociação para defender "os direitos do Irã frente à hostilidade dos inimigos".

Invasão da embaixada

Em 4 de novembro de 1979, uma multidão de estudantes islâmicos invadiu a embaixada americana e manteve 52 diplomatas como reféns por 444 dias para reivindicar o retorno ao Irã do xá, hospitalizado nos Estados Unidos, para que fosse julgado. Eles também queriam protestar contra a "interferência" americana nos assuntos internos iranianos. O caso provocou a ruptura das relações diplomáticas entre os dois países. O local da antiga representação americana, rebatizada de "Ninho de Espiões", é agora um centro cultural dirigido pelo Basij, e abriga um museu dos "crimes" dos Estados Unidos contra o Irã .


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