O regime iraniano enfrenta um dos maiores desafios desde a Revolução de 1979, com manifestações em massa atingindo as principais cidades do país na noite de sexta-feira (9). O filho do antigo xá, que vive no exílio, incitou os opositores a “tomarem” os centros urbanos.
Em resposta aos protestos, as autoridades impuseram um bloqueio nacional das comunicações que já dura mais de 36 horas.
Ativistas e cineastas dissidentes, como Jafar Panahi, alertam que o isolamento digital visa encobrir a violência estatal contra os manifestantes. Segundo o grupo Iran Human Rights, a repressão já resultou em pelo menos 51 mortes.
Expansão das manifestações e apelo ao exílio
Os protestos, iniciados há duas semanas por motivações econômicas, evoluíram para um movimento político direto contra a teocracia. Em Teerã, Mashhad e Tabriz, manifestantes entoaram slogans como "Morte a Khamenei" e exibiram símbolos da era pré-revolucionária.
Do exílio nos EUA, Reza Pahlavi, filho do antigo xá, convocou os opositores a "tomarem e manterem" os centros urbanos, sinalizando uma nova fase de ocupação territorial. Pahlavi afirmou ainda preparar seu retorno ao país em breve, embora Washington considere prematura uma liderança formal do herdeiro do trono.
Tensões geopolíticas e ultimato de Trump
O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, reagiu classificando os manifestantes como "vândalos" e acusou os Estados Unidos de fomentarem os distúrbios para desestabilizar a República Islâmica. Do outro lado, o presidente Donald Trump não descartou novas ações militares, mencionando que a população parece estar tomando o controle de certas cidades.
Trump emitiu um alerta direto ao governo iraniano: "É melhor eles não começarem a atirar, porque nós também começaremos a atirar", reforçando a tensão após os recentes ataques de Washington a instalações nucleares iranianas.
Risco de massacre e crise humanitária
A Nobel da Paz Shirin Ebadi alertou que o amplo apagão de comunicações pode ser o prelúdio de um massacre em larga escala. Enquanto o governo promete não recuar e relata baixas em suas forças de segurança, a comunidade internacional observa o "teste de sobrevivência" do regime.
Para observadores externos, a combinação de insolvência econômica, insatisfação popular e pressão militar externa cria um cenário de imprevisibilidade que não era visto há décadas no Oriente Médio.