Centenas de estudantes tentaram durante toda a quinta-feira realizar passeatas pelo centro de Santiago e de outras cidades, mas foram reprimidos pela polícia, que utilizou bombas de gás lacrimogêneo e canhões de água após o governo anunciar a proibição das manifestações.
"Nós sabíamos que ao colocar limites iam ocorrer manifestações, mas acredito que há vezes em que a autoridade tem que demonstrar que também está protegendo o direito de todos", disse Chadwick.
Os estudantes se queixaram da "repressão policial" que, segundo eles, lembra as ações da polícia durante a ditadura militar do general Augusto Pinochet, que governou o Chile entre 1973 e 1990. A repressão "demonstra que o governo não foi capaz de entender a magnitude deste movimento. Imagino que terá sido assim há 30 anos no Chile", disse Camila Vallejo, uma das principais líderes estudantis.
As demandas dos estudantes, que começaram há dois meses pedindo o fortalecimento da educação pública, traduziu-se em passeatas, greves de fome e ocupação de escolas e universidades.
Ação contra o ministro
Estudantes e professores apresentaram hoje uma ação contra o ministro do Interior chileno, Rodrigo Hinzpeter, por considerar que ele violou o direito de reunião ao impedir os protestos e realizar prisões ilegais. A denúncia foi apresentada pela própria Camila Valejo, presidente da Federação de Estudantes do Chile (Fech) e representantes do Colégio de Professores.
Os estudantes devem responder nesta sexta-feira a uma proposta de 21 pontos apresentada na segunda-feira passada pelo governo, apesar de antemão terem afirmado que não a aceitarão por considerar que não contempla seu principal pedido, que é assegurar que não haja uma educação pública sem objetivo de lucro.