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Protestos forçam Macri a limitar tarifaço de gás na Argentina

Milhares marcharam pelas ruas, enquanto outras conseguiram sentenças judiciais para conter as altas

Milhares marcharam pelas ruas, enquanto outras conseguiram sentenças judiciais para conter as altas
Milhares marcharam pelas ruas, enquanto outras conseguiram sentenças judiciais para conter as altas Foto : Juan Mabromata / AFP / CP
O governo argentino limitou os aumentos das tarifas de gás, nesta sexta-feira, e fixou tetos de ajuste de 500% - informou o Ministério da Energia, reagindo a uma onda de protestos sociais e dos governadores. As altas no preço do gás natural atingiram até 3.000% nas províncias da Patagônia (sul). Nessa região, nas últimas semanas, milhares de pessoas marcharam pelas ruas, enquanto outras conseguiram sentenças judiciais para conter as altas.

Um caso emblemático foi o da associação civil Cre-arte, instituição cultural para pessoas com deficiência, cuja conta subiu do equivalente a cerca de US$ 16,5 para US$ 550. Em Neuquén, na fábrica de cerâmicas recuperada Ex Zanon, a tarifa subiu de US$ 112 mil para US$ 550 mil.

Outras sentenças de juízes chegaram a suspender a aplicação dos aumentos em cidades do oeste e do nordeste. "Assim como estavam, as contas de gás eram impagáveis para qualquer pessoa", reclamou o governador de Río Negro (sul), Alberto Weretilnek. Na Patagônia, o consumo de gás é vital para sobreviver em temperaturas austrais abaixo de zero no inverno. "Somos um governo que, quando se engana, corrige", disse, em nota, o ministro do Interior, Rogelio Frigerio.

O limite de 500% de alta valerá para o setor do comércio e da indústria. Para residências, o teto do aumento será de 400%. Milhares de trabalhadores das centrais operárias CTA protestaram na quinta-feira, na frente da Casa de Governo, contra as demissões e o "tarifaço".

Em fevereiro, o presidente Mauricio Macri justificou o reajuste de tarifas, alegando que os valores anteriores estavam defasados. Em março, a oposição peronista e as centrais dos trabalhadores começaram a reivindicar um teto para o ajuste. Em 2016, a previsão de inflação é de cerca de 40% em termos anuais, segundo consultorias privadas.