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Protestos marcam posse de novo governante de Hong Kong

País asiático comemora os 15 anos do retorno ao controle chinês sobre a ilha

Milhares de pessoas protestaram em Hong Kong durante cerimônia de posse de novo governante
Milhares de pessoas protestaram em Hong Kong durante cerimônia de posse de novo governante Foto : Alex Ogle / AFP / CP
Uma manifestação pró-democracia interrompeu por alguns instantes o discurso do presidente chinês, Hu Jintao, durante a cerimônia de posse do novo governante de Hong Kong neste domingo, enquanto centenas de residentes marchavam em protesto ao regime de Pequim durante o 15º aniversário do retorno ao controle chinês do centro financeiro asiático.

A efusão de descontentamento esconde uma crescente tensão entre a China comunista e a vibrante cidade de sete milhões de habitantes, que voltou a ser governada pela China em 1997 após mais de um século de controle britânico. Embora a desigualdade econômica e a limitação à democracia sejam os principais motivos da insatisfação, os residentes de Hong Kong estão também incomodados com o comportamento chinês, que consideram arrogante - por exemplo, os ricos do continente invadem os centros de varejo em espalhafatosas viagens de compras a Hong Kong ou a escolha da língua para o discurso de posse deste domingo foi o mandarim originário de Pequim, em vez do dialeto cantonês falado localmente.

Na cerimônia, o milionário Leung Chun-ying, de 57 anos, tornou-se o terceiro executivo-chefe de Hong Kong, após Donald Tsang e Tung Chee-hwa. Ele prometeu atender as necessidades econômicas dos habitantes, incluindo questões relacionadas à disparada dos preços dos imóveis, a qual muitos atribuem à demanda por apartamentos dos abonados chineses.

O novo líder é filho de um oficial da polícia e substitui o burocrata de carreira Tsang, que assumiu em 2005 e não pode concorrer a outro termo. Leung foi escolhido para ocupar o cargo em março, obtendo 689 votos de um comitê formado por 1.200 membros de homens da elite econômica, que votaram de acordo com o desejo da China continental. Os 3,4 milhões de eleitores registrados de Hong Kong, que podem escolher conselheiros de bairros e metade dos legisladores, não puderam dizer nada.

Em seu discurso, Hu disse que os residentes de Hong Kong nunca tiveram tanta liberdade e direitos democráticos como agora - em referência à promessa feita quando receberam o território de volta do Reino Unido de manter o sistema político relativamente aberto por 50 anos.

No meio da tarde, centenas de manifestantes deram início a uma marcha em direção ao recém-construído prédio que abriga a sede do governo da ilha de Hong Kong, com tambores e carregando bandeiras inglesas, demonstrando nostalgia aos tempos em que os direitos democráticos eram limitados, mas a lei era praticada. Os manifestantes sentem o forte regime Partido Comunista em desacordo com os valores que muitos herdaram da influência educacional britânica e da crescente democracia em outros países asiáticos, como a Coreia do Sul e Taiwan. "O modo de pensar da China é totalmente diferente do nosso", disse um dos manifestantes.

Pequim tem dito que Hong Kong poderá eleger seu próprio líder em 2017 e todo o corpo de legisladores em 2020, mas ainda não traçou uma agenda para isso. Os residentes temem que o sistema político que governou a ilha desde 1997 resultou na concentração de poder nas mãos milionários, com grande influência sobre os líderes de Pequim. Indicadores econômicos mostram que a desigualdade econômica em Hong Kong aumentou para um patamar nunca visto em quatro décadas. As informações são da Associated Press.

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