Três pessoas morreram nesta segunda-feira em cidades do oeste da Venezuela, em mais um dia da onda de protestos contra o presidente Nicolás Maduro, que já deixou 24 mortos em um mês. "Há um morto em Mérida e dois em Barinas", disse à AFP uma fonte da Promotoria. Entre as vítimas há um manifestante chavista (pró-governo) baleado em Mérida, segundo o Defensor do Povo, Tarek William Saab.
"Estava se manifestando pacificamente quando, supostamente, foi baleado", disse Saab à TV estatal, acrescentando que havia cinco jovens feridos entre "a vida e a morte". Dirigentes do partido opositor Primeiro Justiça denunciaram que os dois mortos em Barinas protestavam contra Maduro e foram alvo de "paramilitares do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela)", no poder.
No mesmo incidente, dois manifestantes foram feridos, segundo o Primeiro Justiça. Em Caracas, dois caminhões do Ministério dos Transportes foram incendiados por manifestantes em uma autoestrada no leste da capital, onde milhares de pessoas se reuniram no "plantão" para exigir eleições e a saída de Maduro.
Manifestantes com os rostos cobertos ou encapuzados jogaram gasolina na autoestrada e atearam fogo aos caminhões, que estavam estacionados, sem que a polícia reagisse de imediato, constatou a AFP no local. Em seguida, os manifestantes utilizaram os veículos calcinados para bloquear a autopista, em um trecho próximo a um shopping do bairro nobre de Las Mercedes.
Mais cedo, a tropa de choque havia lançado bombas de gás lacrimogêneo contra manifestantes, que responderam com pedras, em incidentes no mesmo setor. Com um alto-falante, um líder opositor pedia ao "protesto pacífico evitar a repressão do governo". Sob um sol forte, milhares de opositores bloquearam vias importantes do país para manter a pressão sobre Maduro, que no domingo reiterou a sua disposição de dialogar e celebrar eleições regionais.
"O som da resistência pacífica é mais forte que o de bombas lacrimogêneas e o chumbo, temos que permanecer aqui", pedia o parlamentar Miguel Pizarro, de um caminhão que abria caminho entre os manifestantes. protesto prossegue em Caracas e outras cidades do país, com milhares de pessoas que agitam bandeiras venezuelanas, gritam palavras de ordem pedindo "liberdade" e ocupam as ruas.
A oposição exige eleições gerais e respeito à autonomia do Parlamento, único poder que controla, e assegura que permanecerá na rua até conseguir "restituir o fio constitucional". Os protestos, iniciados em 1º de abril, e que já deixaram 24 mortos, explodiram depois que o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) atribuiu-se funções do Legislativo. Embora tenha voltado atrás nesta decisão, após pressão internacional, a oposição exige a saída de Maduro do poder.
Protestos na Venezuela deixam três mortos
Onda de protestos já contabilizam 24 mortos em apenas um mês