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Puigdemont propõe a Rajoy reunião fora da Espanha para diálogo

Chefe destituído sugeriu Bruxelas para encontro, um dia após eleições regionais

Chefe destituído sugeriu Bruxelas para encontro, um dia após eleições regionais
Chefe destituído sugeriu Bruxelas para encontro, um dia após eleições regionais Foto : Emmanuel Dunand / AFP / CP
O destituído chefe de Governo catalão Carles Puigdemont, suspeito na Espanha de sedição e rebelião, propôs nesta sexta-feira ao primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy uma reunião no exterior para um diálogo sem condições. "Estou disposto a encontrar-me em Bruxelas, ou em qualquer outro lugar da UE que não seja o Estado espanhol, por razões óbvias, com o senhor Rajoy", disse Puigdemont em Bruxelas um dia depois das eleições regionais.

"Ganhamos o direito de sermos ouvidos", afirmou, em uma mensagem dirigida tanto a Madri como à União Europeia, que até agora respaldou o governo espanhol. "Peço apenas à Comissão Europeia e outras instituições europeias que escutem o povo catalão, não apenas o Estado espanhol", afirmou Puigdemont, que está em Bruxelas desde o fim de outubro, depois de ter sido destituído da presidência regional pelo governo central.

Puigdemont, favorito a recuperar a presidência catalã em caso de repetição da atual composição parlamentar - seu partido Juntos pela Catalunha foi o movimento independentista mais votado -, disse que a oferta de diálogo não tem condições. Ao ser questionado sobre seu retorno a Espanha - que provavelmente o levaria à prisão - o presidente catalão, destituído poucas horas depois de proclamar a independência em 27 de outubro, o condicionou à existência de garantias.

"Se tomar posse como presidente, isto quer dizer que existem todas as garantias de uma democracia que permite que a vontade dos catalães se torne efetiva", disse. "Tenho que tomar posse como presidente e tenho que entrar no palácio da Generalitat", completou. Para ser presidente catalão, Puigdemont teria primeiro que ser deputado e para assumir o mandato é imprescindível que o faça pessoalmente, segundo as leis.

Separatistas repetem maioria absoluta na Catalunha

Os separatistas catalães repetiram a maioria absoluta no Parlamento regional apesar do forte estímulo do Partido Cidadãos, que advoga pela unidade com a Espanha, com 80% dos votos computados, em uma grande vitória do presidente destituído Carles Puigdemont. Juntos pela Catalunha, a plataforma independentista recém-criada por Puigdemont, que está na Bélgica, foi a força secessionista com mais cadeiras, 34, que somadas às 32 do Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) e as 4 da CUP, superam as 68 da maioria absoluta.

No entanto, a força com mais deputados e votos foi Cidadãos, de Inés Arrimadas, com 36 deputados. Como ocorreu em 2015, os independentistas se beneficiaram do sistema eleitoral, que recompensa o voto rural, e alcançarão a maioria absoluta sem ter 50% dos votos dos mais de 5 milhões de catalães chamados às urnas, em um dia em que a participação superou os 80%, num recorde. 

A vitória dos separatistas, se confirmada, supõe um golpe para o presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, que interveio na autonomia catalã após a frustrada proclamação de independência de 27 de outubro, e convocou essas eleições nas quais o Partido Popular só alcançou quatro deputados, em comparação com os 11 que tinha. Também questiona a decisão do vice-presidente catalão deposto, Oriol Junqueras, do ERC, que preferiu ficar na Espanha e enfrentar a Justiça, e agora está na prisão. Seu partido era favorito nas pesquisas e deve acabar em terceiro lugar.