O destituído chefe de Governo catalão Carles Puigdemont, suspeito na Espanha de sedição e rebelião, propôs nesta sexta-feira ao primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy uma reunião no exterior para um diálogo sem condições. "Estou disposto a encontrar-me em Bruxelas, ou em qualquer outro lugar da UE que não seja o Estado espanhol, por razões óbvias, com o senhor Rajoy", disse Puigdemont em Bruxelas um dia depois das eleições regionais.
"Ganhamos o direito de sermos ouvidos", afirmou, em uma mensagem dirigida tanto a Madri como à União Europeia, que até agora respaldou o governo espanhol. "Peço apenas à Comissão Europeia e outras instituições europeias que escutem o povo catalão, não apenas o Estado espanhol", afirmou Puigdemont, que está em Bruxelas desde o fim de outubro, depois de ter sido destituído da presidência regional pelo governo central.
Puigdemont, favorito a recuperar a presidência catalã em caso de repetição da atual composição parlamentar - seu partido Juntos pela Catalunha foi o movimento independentista mais votado -, disse que a oferta de diálogo não tem condições. Ao ser questionado sobre seu retorno a Espanha - que provavelmente o levaria à prisão - o presidente catalão, destituído poucas horas depois de proclamar a independência em 27 de outubro, o condicionou à existência de garantias.
"Se tomar posse como presidente, isto quer dizer que existem todas as garantias de uma democracia que permite que a vontade dos catalães se torne efetiva", disse. "Tenho que tomar posse como presidente e tenho que entrar no palácio da Generalitat", completou. Para ser presidente catalão, Puigdemont teria primeiro que ser deputado e para assumir o mandato é imprescindível que o faça pessoalmente, segundo as leis.
Separatistas repetem maioria absoluta na Catalunha
Os separatistas catalães repetiram a maioria absoluta no Parlamento regional apesar do forte estímulo do Partido Cidadãos, que advoga pela unidade com a Espanha, com 80% dos votos computados, em uma grande vitória do presidente destituído Carles Puigdemont. Juntos pela Catalunha, a plataforma independentista recém-criada por Puigdemont, que está na Bélgica, foi a força secessionista com mais cadeiras, 34, que somadas às 32 do Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) e as 4 da CUP, superam as 68 da maioria absoluta.
No entanto, a força com mais deputados e votos foi Cidadãos, de Inés Arrimadas, com 36 deputados. Como ocorreu em 2015, os independentistas se beneficiaram do sistema eleitoral, que recompensa o voto rural, e alcançarão a maioria absoluta sem ter 50% dos votos dos mais de 5 milhões de catalães chamados às urnas, em um dia em que a participação superou os 80%, num recorde.
A vitória dos separatistas, se confirmada, supõe um golpe para o presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, que interveio na autonomia catalã após a frustrada proclamação de independência de 27 de outubro, e convocou essas eleições nas quais o Partido Popular só alcançou quatro deputados, em comparação com os 11 que tinha. Também questiona a decisão do vice-presidente catalão deposto, Oriol Junqueras, do ERC, que preferiu ficar na Espanha e enfrentar a Justiça, e agora está na prisão. Seu partido era favorito nas pesquisas e deve acabar em terceiro lugar.
Puigdemont propõe a Rajoy reunião fora da Espanha para diálogo
Chefe destituído sugeriu Bruxelas para encontro, um dia após eleições regionais