O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou nesta quinta um cessar-fogo na Ucrânia a partir do dia 15 de fevereiro e a retirada de beligerantes e de armas pesadas. A medida foi tomada após negociações tensas com líderes dos dois países e mais França e Alamanha em Minsk. A trégua foi confirmada pelo francês François Hollande. "Conseguimos alcançar um acordo sobre o essencial", declarou Putin após 16 horas de tratativas.
No início do encontro, Putin e Poroshenko, com o semblante muito sério, apertaram as mãos nos corredores do imenso palácio presidencial de Belarus, rodeados pela alemã Angela Merkel e Hollande. Posteriormente, uma jornalista da AFP presenciou, através de uma porta entreaberta, uma acalorada discussão entre os presidentes russo e ucraniano. Os dois estavam de pé e Poroshenko chegou, inclusive, a deixar a sala, embora depois tenha voltado.
'Uma só voz'
Os presidentes ucraniano e francês e a chefe do governo alemão decidiram reunir-se brevemente antes de se encontrarem com o presidente russo, o qual consideram responsável pelo conflito na Ucrânia. À tarde, Petro Poroshenko tinha advertido a Putin que Ucrânia, França e Alemanha fariam em "uma só voz" e se mostrou disposto a decretar a lei marcial em toda a Ucrânia, caso as negociações na capital bielorrussa fracassem. Antes de chegar à capital bielorusssa, os participantes da cúpula aumentaram a pressão para alcançar um acordo, enquanto no terreno, soldados ucranianos e separatistas pró-russos prosseguiam seus combates para chegar em posição de força nas negociações.
Segundo Paris, Hollande e Merkel tentarão fazer tudo o que for possível para encontrar uma solução diplomática a uma crise que gerou o pior período de confronto entre a Rússia e os países ocidentais desde o final da União Soviética, em 1991. Em Washington, o presidente americano, Barack Obama, advertiu o Kremlin de que "se a Rússia continuar com suas agressões contra a Ucrânia, sobretudo enviando soldados, armas e financiando os rebeldes, o preço a pagar aumentará".
No terreno, pelo menos 49 pessoas, civis e militares, morreram entre a terça e a quarta-feira no leste da Ucrânia. Seis civis morreram em Donetsk, reduto dos separatistas, em um ataque contra um ponto de ônibus e uma metalúrgica, segundo os separatistas. Com as negociações em Minsk já iniciadas, um pedestre morreu em um bombardeio contra um hospital no centro de Donetsk, informaram as autoridades pró-russas.
O exército ucraniano anunciou ter perdido pelo menos 19 soldados nas últimas 24 horas, cinco delas em um ataque na noite de terça-feira com lança-foguetes múltiplos contra a cidade de Kramatorsk, onde fica o principal quartel-general das forças ucranianas no leste. Kiev responsabiliza a Rússia por este ataque, no qual morreram 16 pessoas, entre civis e militares. "É sempre o mesmo. Quando nossos combatentes ganham terreno, nos propõem negociar", disse Viktor Nenashev, um morador de Donetsk de 38 anos, partidário dos separatistas.
Putin anuncia acordo de cessar-fogo na Ucrânia a partir de 15 de fevereiro
Medida foi tomada após tensas negociações em Minsk