Mundo

Putin recebe principais negociadores dos EUA para falar sobre Ucrânia

Reunião com foco no término do conflito no leste europeu aconteceu nesta terça-feira, 2

Presidente russo, Vladimir Putin, recebeu comitiva dos EUA para falar sobre a guerra na Ucrânia
Presidente russo, Vladimir Putin, recebeu comitiva dos EUA para falar sobre a guerra na Ucrânia Foto : ALEXANDER KAZAKOV / POOL / AFP

O presidente russo, Vladimir Putin, recebe, nesta terça-feira (2), no Kremlin, o enviado americano Steve Witkoff e o genro de Donald Trump, Jared Kushner, para falar sobre o plano de Washington que busca pôr fim à guerra na Ucrânia.

A reunião na capital russa se segue a vários dias de intensas gestões diplomáticas para tentar encerrar o conflito mais sangrento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

"Fico muito contente em vê-los", disse o chefe de Estado russo a Witkoff e Kushner, sentados ao lado de tradutores. O assessor presidencial russo, Yuri Ushakov, e o enviado comercial do Kremlin, Kirill Dmitriev, também participaram da reunião, segundo a TV estatal.

Trump afirmou que não seria fácil avançar para o fim de uma guerra que já dura quase quatro anos."Não é uma situação fácil, eu asseguro. Que desastre", disse ele durante uma reunião de gabinete na Casa Branca.

Espera-se que os delegados apresentem a Putin uma nova versão do plano americano para pôr fim às hostilidades, elaborado depois de uma versão anterior que Kiev e seus aliados europeus consideraram que fazia concessões demais a Moscou.

Uma delegação ucraniana poderia se reunir com Witkoff e Kushner na quarta-feira, possivelmente em Bruxelas, disse à AFP um alto funcionário de Kiev. "Os Estados Unidos querem nos informar diretamente depois de sua reunião" com Putin, declarou Zelensky na terça-feira, durante uma visita à Irlanda, onde busca consolidar o apoio europeu.

Em uma mensagem postada nas redes sociais, o presidente ucraniano afirmou que "não haverá soluções fáceis". "O importante é que tudo seja justo e transparente. Que não haja jogos pelas costas da Ucrânia. Que nada seja decidido sem a Ucrânia sobre nós, sobre o nosso futuro", escreveu na postagem.

Momento crítico para Kiev

A reunião entre americanos e russos ocorre em um momento crítico para a Ucrânia. Kiev tem sido sacudida por escândalos de corrupção, que terminaram com a demissão do chefe de gabinete de Zelensky.

Nas últimas semanas, Moscou também tem intensificado seus ataques com drones e mísseis contra a Ucrânia .O presidente ucraniano assinalou que ainda espera discutir questões-chave com o presidente americano, inclusive territoriais, e sugeriu que a verdadeira motivação de Moscou para dialogar com Washington é aliviar as sanções ocidentais.

Putin ordenou a ação militar em larga escala contra a Ucrânia em fevereiro de 2022, qualificando-a de "operação militar especial" .Dezenas de milhares de civis e militares morreram desde o início da guerra, e milhões de ucranianos se viram obrigados a abandonar suas casas.

Os europeus temem que Washington e Moscou fechem um acordo sem envolvê-los ou forcem os ucranianos a fazer concessões injustas. Dezenas de milhares de civis e militares morreram desde que a guerra começou, e milhões de ucranianos se viram forçados a abandonar suas casas.

Antes do encontro com os enviados americanos, Putin acusou os europeus de dificultarem os esforços para pôr fim ao conflito e insistiu em que a Rússia está pronta para a guerra "se a Europa quiser e começar".

Veja Também

Um plano americano de 28 pontos, apresentado no mês passado, estava tão estreitamente alinhado com as demandas russas que provocou acusações de que Moscou tinha participado de sua redação, o que Washington negou.

Segundo uma conversa por telefone revelada no fim de novembro pela Bloomberg, Witkoff aconselhou funcionários russos sobre como Putin devia falar com Trump sobre o conflito na Ucrânia.

Avanço russo

Witkoff se reuniu com Putin em várias ocasiões, mas veículos de imprensa americanos reportaram que esta seria a primeira vez que Kushner - que ajudou a negociar o cessar-fogo entre Israel e Hamas em Gaza, no começo do ano - participaria das conversas com Putin.

No terreno, forças russas realizaram em novembro seu maior avanço no front ucraniano em um ano, segundo análise da AFP de dados do Instituto Americano para o Estudo da Guerra (ISW), que trabalha com o Critical Threats Project (CTP).

Em um mês, a Rússia arrebatou 701 km2 dos ucranianos, o segundo avanço mais importante depois do de novembro de 2024 (725 km2), excluindo os primeiros meses da guerra, na primavera boreal de 2022.

Na segunda-feira, a Rússia reivindicou a conquista da cidade de Pokrovsk, no leste da Ucrânia, um centro logístico estratégico para Kiev, assim como de Vovchansk, no nordeste. No entanto, a Ucrânia afirmou na terça-feira que os combates em Pokrovsk continuam.

Também em novembro, a Rússia lançou mais mísseis e drones em ataques noturnos contra a Ucrânia do que no mês anterior, com um total de 5.660 mísseis e drones de longo alcance (+2%).