O presidente russo, Vladimir Putin, vai reconhecer a independência dos dois territórios separatistas no leste da Ucrânia. A questão é um pedido dos líderes dos territórios pró-russos, Denis Pushilin da DNR (República Popular de Donetsk) e Leonid Pasechnik, da LNR (República Popular de Lugansk), que também solicitaram uma "cooperação em matéria de defesa".
"Em breve será firmado um decreto com tal efeito", informou a Presidência da Rússia. Putin comunicou a decisão a seu colega francês, Emmanuel Macron, e ao chefe de governo alemão, Olaf Scholz, mediadores no conflito do leste da Ucrânia, que, segundo o Kremlin, "expressaram decepção".
O reconhecimento se refere à independência das autoproclamadas "repúblicas" de Donetsk e Lugansk, dois territórios pró-Rússia do Donbass ucraniano, uma bacia mineral e industrial fronteiriça com a Rússia. Em oito anos, a guerra entre Kiev e os separatistas, apoiados por Moscou, já deixou mais de 14.000 mortos.
O reconhecimento russo dos separatistas significaria o fim do processo de paz resultante dos acordos de Minsk de 2015, firmados por Rússia e Ucrânia sob mediação franco-alemã. O acordo pretendia a devolução dessas regiões à soberania ucraniana.
Repercussão
O chefe de governo alemão Olaf Scholz afirmou que a medida representaria uma "ruptura unilateral" dos acordos de Minsk de 2015. A declaração foi feita após uma conversa telefônica com Vladimir Putin. Diante da gravidade da situação, o presidente alemão também teve conversas de emergência com o presidente francês Emmanuel Macron, com o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski e com "os sócios mais próximos da Alemanha", indicou o porta-voz do Governo, Steffen Hebestreit.
O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, afirmou que a UE tem "sanções sobre a mesa" caso a Rússia reconheça as regiões separatistas.
Bombardeios
A Ucrânia denunciou nesta segunda-feira 14 bombardeios cometidos por rebeldes pró-russos. Dois soldados morreram e quatro ficaram feridos em uma ofensiva separatista na região de Donetsk. Os dois militares morreram na cidade de Zaitseve, onde também houve três feridos. O outro ferido foi na cidade de Vodine. Pouco antes, as autoridades haviam anunciado a morte de um civil em um bombardeio separatista na mesma região.
Diante da ameaça de uma invasão russa, Kiev pediu também uma reunião "imediata" com o Conselho de Segurança da ONU.