No entanto, os líderes das instituições financeiras russas afirmaram que elas não afetarão suas operações e criticaram novamente o governo de Barack Obama. "Obama não entrará para a história como um homem que fez a paz - todos já esqueceram de seu Prêmio Nobel da Paz - mas como o presidente americano que começou a nova Guerra Fria", afirmou Alexei Pushkov, presidente do Comitê de Relações Exteriores da câmara baixa do Parlamento russo, pelo Twitter.
Nesta quarta-feira, Moscou advertiu que as sanções americanas contra a Rússia terão consequências tangíveis para
Washington. "As verdadeiras perdas de uma política tão destrutiva e com tão pouca visão de futuro serão bastante tangíveis para Washington", declarou o ministério das Relações Exteriores russo em um comunicado.
Até agora, Moscou sempre insistiu que as sanções consolidarão a sociedade russa e ajudarão a economia a se tornar mais autossuficiente, enquanto seus cidadãos dizem não estar preocupados com elas. Segundo uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira, 58% dos russos dizem não se preocupar com um possível isolamento do país no cenário internacional e 61% afirmam a mesma coisa sobre as sanções econômicas e políticas contra Moscou, indica o estudo do centro independente Levada.
Para 59% dos entrevistados, as sanções afetam apenas a elite política russa, responsável pela tomada de decisões. Por outra parte, 60% dos russos que vivem em grandes cidades são contra a adoção de sanções comparáveis contra a UE e os Estados Unidos e consideram necessário prosseguir cooperando com o Ocidente.
Os países ocidentais decidiram estas sanções contra a Rússia - o maior produtor de energia do continente europeu e um
grande sócio comercial - mesmo com Moscou negando ser o responsável por ter fornecido um míssil que derrubou um avião da Malaysia Airlines com 298 pessoas a bordo. Embora as sanções queiram atacar setores chave da economia russa e o círculo de oligarcas próximos ao presidente Vladimir Putin, os economistas advertiram que a economia europeia também sofrerá.
As novas sanções dificultarão o acesso dos bancos estatais russos aos mercados financeiros europeus, obrigando-os a assumir custos maiores, e colocarão travas em uma economia que já está em dificuldades. O Banco Central russo declarou que as instituições financeiras estavam trabalhando normalmente, e que em caso de necessidade adotará medidas para proteger as instituições afetadas, que incluem o segundo banco mais importante do país, o VTB.