Lavrov se reuniu no gabinete do chefe da diplomacia francesa, Laurent Fabius, com o secretário de Estado americano John Kerry, e os ministros das Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, e britânico William Hague, além da chefe da chanceler europeia Catherine Ashton. Kerry confirmou que ficaram acertadas para os próximos dias “intensas discussões” sobre a crise ucraniana. “Iniciamos um processo hoje e esperamos que leve a uma desescalada da crise.”
O secretário de Estado norte-americano tentou, sem sucesso, reunir em Paris o ministro Lavrov e seu homólogo ucraniano, Andrii Dechtchitsa, em mais um esforço para acalmar a situação, qualificada de uma das piores crises europeias desde a Guerra Fria. Lavrov se negou a encontrar Dechtchitsa, apesar da pressão dos países ocidentais, conforme relatou à agência de notícias AFP o embaixador ucraniano em Paris. Moscou não reconhece as novas autoridades ucranianas.
Dechtchitsa, ministro interino das Relações Exteriores, chegou a Paris na noite de terça-feira a bordo do avião de Kerry, procedente de Kiev. O presidente americano, Barack Obama, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, estimaram que a situação na Ucrânia é “inaceitável” e afirmaram que a Rússia já arca com consequências por sua intervenção. “A Rússia já começou a pagar o preço por seus atos, como a redução da confiança dos investidores”, ressaltou a Casa Branca após uma conversa entre Obama e Cameron.
Nesta quarta-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, e a chefe de governo alemã, Angela Merkel, discutiram uma “possível cooperação” internacional para “normalizar” a situação na Ucrânia, informou o Kremlin. Putin e Merkel analisaram as “possibilidades de cooperação internacional visando a normalização política da situação na Ucrânia”, destacou o Kremlin.
Paralelamente, a Otan decidiu nesta quarta reforçar a cooperação com a Ucrânia e analisar a redução da relação com a Rússia, indicou seu secretário-geral, Anders Fogh Rasmussen. “Estas medidas enviam uma clara mensagem à Rússia”, que deve ajudar na desescalada do conflito na Ucrânia, afirmou Rasmussen ao término de uma reunião Otan-Rússia em Bruxelas.
Plano de ajuda
A Comissão Europeia apresentou nesta quarta um plano de ajuda de pelo menos 11 bilhões de euros para a Ucrânia, mergulhada na crise econômica. “A Comissão Europeia identificou um programa de ajuda para a Ucrânia. Esta é nossa contribuição à reunião de cúpula de chefes de Estado e de Governo de quinta-feira. No total, o pacote pode chegar a pelo menos 11 bilhões de euros nos próximos dois anos, que sairiam do orçamento da União Europeia e das instituições financeiras europeias”, declarou o presidente do Executivo comunitário, José Manuel Durão Barroso.
O programa, que inclui medidas de curto e médio prazo nas áreas comercial, econômica, técnica e financeira, poderá ser completado pelos Estados membros da UE, destacou Barroso. A Comissão prevê 1,6 bilhão em empréstimos, 1,4 bilhão em doações, e três bilhões do Banco Europeu de Investimentos (BEI).
Também espera que o Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD) possa destinar cinco bilhões e libere 250 milhões do fundo para a política de vizinhança com o objetivo de levantar 3,5 bilhões de empréstimos. Para coordenar os esforços de apoio da comunidade internacional, a Comissão propôs a criação de um "mecanismo especial de coordenação de doações" que a UE está disposta a gerenciar.
Bases de mísseis
Na frente militar, as forças russas assumiram o controle parcial de duas bases de lançamento de mísseis na Crimeia nesta quarta-feira. Na primeira, situada em Evpatoria (Oeste), o posto de comando e o centro de controle da base permanecem sob domínio ucraniano, disse um porta-voz do ministério da Defesa na Crimeia.
A instalação, de onde os mísseis já haviam sido retirados, foi invadida na terça-feira por 20 soldados russos, auxiliados por centenas de manifestantes pró-Moscou, afirmou a fonte ucraniana à AFP. Na outra base, situada no cabo de Fiolent (Sul), próxima ao porto de Sebastopol que abriga a frota do Mar Negro, as forças russas bloqueiam o prédio que abriga os mísseis, revelou à AFP um oficial ucraniano, Volodymir Bova: “Há mísseis, mas estão desarmados”, completou Bova.