A Rússia emitiu nesta quarta-feira um pedido de captura internacional contra o opositor Mikhail Khodorkovski, exilado em Londres após ter passado dez anos nas prisões russas. Khodorkovski é acusado de um caso de homicídio em 1998. O opositor denunciou que estas acusações têm "motivações políticas" e reiterou que não irá se submeter às ordens de Moscou. "Definitivamente, estou pensando em pedir asilo político ao Reino Unido. Sou considerado pelo presidente Putin uma ameaça econômica devido à possibilidade de apreensão de ativos russos no exterior; e uma ameaça política como alguém que supostamente ajudaria candidatos democratas nas eleições de 2016", afirmou Khodorkovski.
A Justiça russa suspeita que Khodorkovski, ex-presidente executivo do grupo petroleiro Yukos, ordenou o assassinato de um prefeito na Sibéria há 17 anos. A vítima, Vladimir Petukhov, era prefeito de Nefteyugansk, cidade onde estava instalada uma antiga filial do Yukos, então propriedade de Khodorkovski. O ex-chefe de segurança do Yukos, Alexei Pishuguin, foi condenado em 2007 à prisão perpétua por assassinato. Khodorkovski é igualmente acusado da tentativa de homicídio de Viaseslav Kokoshkin, guarda-costas de Petukhov, que estava com ele no dia dos fatos.
"Ficaram loucos"
Para Mikhail Khodorkovski, a reabertura deste caso tem como objetivo distrair a opinião pública russa dos problemas que o país sofre. Os líderes russos "ficaram loucos, me dei conta disto ontem", escreve em seu site o antigo oligarca, ao denunciar as buscas realizadas na véspera, pela polícia russa, nas residências de vários empregados de seu movimento Open Russia (Rússia Aberta).
Estas buscas estão vinculadas, segundo as autoridades russas, ao procedimento de compensação do desmantelamento do Yukos e que conduziu nos últimos meses à captura de ativos do Estado russo no exterior. Os partidários do opositor consideram que a reabertura do caso de 1998 é uma "vingança" em reação a informações reveladas pelo Open Russia sobre uma investigação da Justiça espanhola relativa a supostos vínculos entre a máfia russa e o entorno do presidente russo, Vladimir Putin.
Mikhail Khodorkovski passou cerca de dez anos na prisão após sua detenção em 2003. A condenação de Khodorkovski foi por "roubo mediante fraude em grande escala" e "evasão fiscal". Ele saiu da prisão em dezembro de 2013 graças ao perdão de Putin. Após ter prometido inicialmente não se relacionar com política, o antigo oligarca fundou um movimento destinado a reunir as escassas forças pró-europeias na Rússia e não excluiu candidatar-se contra Putin na eleição presidencial.
Khodorkovski também convocou no início de dezembro uma "revolução" na Rússia e denunciou um "golpe de Estado" do presidente Putin, cujo poder considera "ilegítimo". "Farei tudo o que estiver em minhas mãos para que retorne o Estado de direito e que Putin responda por seus atos diante de um tribunal independente", prometeu, comparando seu caso ao dos dissidentes soviéticos.
Rússia emite pedido de captura internacional contra opositor
Mikhail Khodorkovski é acusado de um caso de homicídio em 1998