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Rússia não permitirá inspeções da ONU em usinas químicas

Decisão foi tomada em resposta a exigência feita pelos Estados Unidos

A Rússia afirmou nesta sexta-feira que não permitirá que equipes da ONU inspecionem as usinas químicas do país, uma exigência feita pelos Estados Unidos para não aplicar uma nova rodada de sanções a Moscou pelo envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal e sua filha Yulia no Reino Unido. "Não temos a intenção de cumprir com as exigências unilaterais de Washington, feitas em forma de ultimato, e que estão fora da Convenção sobre Armas Químicas", afirmou a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, em nota.

A diplomata informou que a Rússia concluiu em setembro de 2017 a destruição dos arsenais de armas químicas do país sob um estrito controle internacional e o governo de Vladimir Putin segue cumprindo as obrigações previstas na Convenção sobre Armas Químicas. "Os EUA, antes de mais nada, devem cumprir de uma vez com seu principal compromisso dentro da convenção e liquidar seu próprio arsenal de armas químicas", sugeriu a diplomata russa.

Além de negar envolvimento no envenenamento da família Skripal com um agente químico, a Rússia garante ter destruído a última parte de seu arsenal de armas quínicas em 27 de setembro de 2017, três anos antes do previsto.Ao longo de 15 anos, os russos eliminaram quase 40 mil toneladas de substâncias químicas em virtude da convenção internacional, que foi ratificada pela Duma, o parlamento do país, em 1997. A Casa Branca implementou em agosto novas sanções contra a Rússia devido ao caso Skripal. Na época, o governo americano deu três meses aos russos para permitir uma inspeção da ONU no país e para que o Kremlin desse garantias de não voltar a usar armas químicas.

Caso a Rússia não atende às exigências, os EUA ameaçam adotar sanções mais severas e prejudiciais à economia russa, como a proibição total de importações e exportações, a restrição das relações diplomáticas e a suspensão das atividades da companhia aérea russa Aeroflot de voar no território americano.