A crise levou à demissão do primeiro-ministro, Mykola Azarov, na última semana. Nesta segunda-feira, depois de quadro dias afastado por motivos de saúde, o presidente ucraniano Viktor Ianukovitch volta aos trabalhos.
“Esperamos que a oposição na Ucrânia renuncie às ameaças e aos ultimatos e intensifique o diálogo com as autoridades para que o país possa sair da crise profunda mantendo-se no quadro constitucional”, informou o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, em comunicado.
“A Rússia está muito preocupada com a aspiração das forças da oposição ucraniana a fazer com que a situação se deteriore ainda mais”, segundo o documento.
Em nota, a diplomacia russa diz-se “perplexa” com os apelos dos líderes da oposição, que incentivam a população a manter manifestações em prédios públicos e sedes da administração. Para Moscou, esses apelos contrariam declarações de fidelidade à democracia e aos valores europeus, reafirmados na Cúpula de Segurança de Munique, da última sexta-feira até ontem. A questão ucraniana foi um dos principais temas do encontro.
Os protestos na Ucrânia começaram no final de 2013 e foram intensificados com a adoção de medidas rígidas do governo para conter as manifestações, em meados de janeiro. Essas medidas foram criticadas pela comunidade interncional e a pressão, tanto interna quanto externa, fez com que o governo recuasse.
Hoje, um dos líderes da oposição, Vitaly Klitschko, informou que foi entregue ao Parlamento do país um projeto de lei que exclui a possibilidade os manifestantes sofrerem processos judiciais. No último final de semana, como forma de conter a crise, além de suspender as regras mais rígidas contrárias aos manifestantes, o governo anunciou a concessão de anistia aos envolvidos.
"A lei foi feita para prevenir o processo e a punição de pessoas relacionadas a eventos que ocorreram durante manifestações pacíficas", disse Klitschko. De acordo com ele, a lei não seria válida para pessoas que cometeram crimes graves.