O governo russo anunciou, neste sábado (horário local), negociações "construtivas" e "substanciais" entre Angela Merkel, François Hollande e Vladimir Putin em um plano de paz para a Ucrânia. Depois de quase cinco horas de negociações no Kremlin, o porta-voz de Putin anunciou que o presidente francês e a chanceler alemã já retornavam para seus países.
"Levando-se em conta as proposições formuladas pelo presidente francês e pela chanceler alemã, o trabalho de preparação do texto de um possível plano comum sobre a aplicação dos acordos de Minsk sobre o cessar-fogo na Ucrânia está em curso", definiu o porta-voz. O documento incluirá propostas feitas pelo presidente ucraniano, Petro Poroshenko, e as agregadas pelo presidente Vladimir Putin.
Um "balanço preliminar" do trabalho de preparação do documento sobre uma solução para o conflito no leste da Ucrânia "será feito no domingo por teleconferência, no formato denominado Normandia (Rússia, França, Alemanha e Ucrânia), no mais alto nível", garantiu a representação do Kremlin.
Analistas de política internacional, contudo, indicam que há verdadeiro temor de uma escalada para guerra na região do Cáucaso. De acordo com Ian Traynor, do The Guardian, a própria visita de Merkel e Hollande a Moscou demonstra a insegurança da União Europeia com os próximos passos do líder russo. Ele citou o ex-ministro sueco Carl Bildt que projetou quem uma "guerra entre Rússia e o Oeste seria bastante possível".
Antes de chegar a Moscou, o presidente francês e a chanceler alemã se mostraram cautelosos sobre as chances de sucesso em convencer Putin a aceitar o plano. O conteúdo das propostas não chegou a ser divulgado. A iniciativa de paz franco-alemã, apoiada por Washington, pela União Europeia (UE) e pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), é a última tentativa de acabar com um conflito que já deixou mais de 5,3 mil mortos e que provocou uma crise internacional.
A Otan "apoia completamente" a iniciativa de paz proposta por Merkel e Hollande, afirmou nesta sexta o secretário-geral da Aliança Atlântica, Jens Stoltenberg. "A situação é muito grave, é crítica", alegou Stoltenberg, ao chegar à Conferência de Segurança de Munique.
Antes de deixar Berlim, Merkel declarou que o objetivo seria "encontrar uma solução ucraniana para defender a paz europeia". "Estamos empenhados em acabar com o derramamento de sangue e fazer reviver o Acordo de Minsk", o único acordo de paz assinado pelos ucranianos e pelos rebeldes pró-russos, declarou a chanceler. "Nós não sabemos se vamos conseguir alcançar um cessar-fogo, se conseguiremos isso hoje, ou se vamos necessitar de discussões mais aprofundadas", considerou.
Na noite anterior, os dois líderes europeus apresentaram seu plano ao presidente Poroshenko. Após várias horas de negociações, o ucraniano mostrou otimismo, avaliando que a iniciativa franco-alemã "traz esperanças para um cessar-fogo". De fato, a iniciativa franco-alemã é uma espécie de "contraproposta" de plano de paz, após Putin submeter há alguns dias ideias a Merkel e Hollande. Na quarta, estes últimos apresentaram o texto aos Estados Unidos e à Ucrânia, antes de prepararem seu próprio plano.
Essa "nova proposta de solução para o conflito garante a integridade territorial da Ucrânia", assegurou o chefe do Estado francês, que advertiu Moscou que o tempo está se esgotando e que "a opção da diplomacia não pode ser prorrogada indefinidamente".
Rússia projeta futuro acordo de paz em encontro tenso sobre Ucrânia
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