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Rússia promete investigar de forma minuciosa acidente que matou presidente polonês

Noventa e seis pessoas morreram em acidente aéreo

Foto : MOSCOU, Rússia (AFP)
O presidente russo Dimitri Medvedev e o primeiro-ministro Vladimir Putin apresentaram condolências ao povo polonês neste sábado pela catástrofe aérea em que morreu o presidente Lech Kaczynski, e prometeram investigação minuciosa do acidente.

"Como todos os cidadãos russos, soube desta tragédia com dor e compaixão profundos e sinceros", declarou Medvedev, segundo seu serviço de imprensa, em mensagem dirigida ao presidente da Câmara Baixa do Parlamento polonês, Bronislaw Komorowski, que assume as funções de chefe de Estado depois da morte do presidente.

Os corpos das vítimas da tragédia aérea deste sábado na Rússia, entre elas o presidente polonês Lech Kaczynski, serão levadas a Moscou para serem identificados, declarou o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, citado pelas agências russas. Noventa e seis ocupantes do avião, um Tupolev-54, morreram.

A cauda e partes da fuselagem do avião estão mergulhadas na lama, emergindo como balizas da floresta cinzenta, tomada pela bruma perto de Smolensk, no oeste da Rússia, onde o aparelho caiu neste sábado.

As autoridades já encontraram as duas caixas-pretas do avião, anunciou o ministro russo de Situações de Emergência, Sergueï Choïguou, citado pela agência de notícias Interfax.

"Desta forma, todos os registros e parâmetros do voo já estão em mãos da perícia, que vai esclarecer as causas da tragédia", declarou Choïguou.

Dezenas de socorristas e autoridades caminham através dos campos pantanosos da floresta, tropeçando em fragmentos metálicos disseminados na clareira aberta pela queda do avião, a apenas centenas de metros da pista de aterrissagem.

A delegação polonesa morta na tragédia aérea se dirigia à "Floresta da Morte" em Katyn, perto de Smolensk, para marcar o 70º aniversário do massacre de 22 mil oficiais poloneses pela polícia de Stalin.

Mais de 170 socorristas foram mobilizados e estão no local, enquanto se aguarda a chegada de mais reforços, segundo o ministério russo para situações de emergência.

A cauda arrancada do avião, pintada de vermelho e branco, nas cores da bandeira polonesa, está muito destruída. A dezenas de metros, perto de uma grande parte da fuselagem, os bombeiros, com capacetes e extintores de incêndio nas mãos, tentam apagar o fogo das partes que ainda ardem em chamas.

Outras peças carbonizadas estão espalhadas por perto, em meio a árvores partidas pela violência do choque.

Empregados do aeroporto militar de Smolensk, que aguardavam a chegada da delegação polonesa de madrugada, informaram que o Tupolev-154 chegou a voar várias vezes em círculos sobre o local, num momento de péssima visibilidade, causada pela névoa espessa.

A aeronave fez três tentativas de pouso até cair na quarta, segundo testemunhas."A uma altura de cerca de 20 metros, o aparelho em que estava o presidente polonês tocou o cimo das árvores e se despedaçou", contou uma testemunha à agência Interfax.

Devido à grande neblina na região, um outro avião foi obrigado a dar a meia-volta mais cedo durante o dia e um terceiro aparelho teve problemas para pousar, segundo as autoridades. Socorristas abatiam árvores na floresta perto do aeroporto para permitir a passagem de seus veículos. Sacos mortuários foram levados ao local, explicaram, acrescentando que a retirada dos cadáveres já começou a ser feita.

A floresta de Katyn, perto de Smolensk, é também conhecida como Floresta da Morte, devido ao massacre de 1940, ano em que a polícia do ditador soviético Joseph Stalin fuzilou 22.000 oficiais poloneses. Neste sábado, o território em torno de Smolensk voltou a se tornar uma floresta da morte.

"É um lugar realmente apavorante. Atrai a morte", escreveu neste sábado em seu blog mnalex2002 um repórter fotográfico russo, dizendo ter estado Katyn em 1995, por ocasião de uma visita do ex-presidente polonês Lech Walesa.