Os militantes ortodoxos lançaram ovos e tinta contra os outros manifestantes que protestavam contra o controverso texto. A polícia prendeu cerca de 20 ativistas de defesa dos direitos dos homossexuais, informou uma fonte.
Os defensores dos direitos dos homossexuais temem que uma redação vaga do projeto de lei permita multar gays e lésbicas por se beijarem ou inclusive por darem as mãos em público. O projeto prevê uma punição de até 5.000 rublos (165 dólares) para os cidadãos que descumprirem a norma, de até 50.000 rublos (1.650 dólares) para os funcionários e de 500.000 rublos (16.500 dólares) no caso de pessoas jurídicas, empresas ou escolas.
O parlamento da região de Novosibirsk, na Sibéria, e a cidade de São Petersburgo já aprovaram leis similares. Os ativistas homossexuais são muito mal vistos na Rússia, onde a homossexualidade foi considerada um crime até 1993 e como uma doença mental até 1999, oito anos após a queda do regime soviético.
Após a confusão, os deputados russos aprovaram em primeira leitura o polêmico projeto. O texto foi votado por 388 votos a favor, um contra e uma abstenção.
No início dos debates, o deputado Serguei Dorofeyev, do partido Rússia Unida, declarou que era preciso "proteger os menores das consequências da homossexualidade", embora tenha afirmado que o texto não condena a homossexualidade como tal.
Na contramão, a deputada Elena Mizulina, do Rússia Justa, sigla de centro-esquerda, considerou, por sua vez, que a propaganda da homossexualidade limita "o direito dos menores a se desenvolverem livremente" e a escolherem livremente sua orientação sexual. Aprovado, o projeto deverá ser apreciado e autorizado pela Câmara Alta do Parlamento, antes de ser enviado ao presidente Vladimir Putin.