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Rússia, Turquia e Irã fazem acordo para consolidar cessar-fogo na Síria

Países concordaram estabelecer um mecanismo para evitar qualquer provocação

Países concordaram estabelecer um mecanismo para evitar qualquer provocação
Países concordaram estabelecer um mecanismo para evitar qualquer provocação Foto : Kirill Kudryavstev / AFP /CP
Os patrocinadores dos diálogos de paz de Astana, Rússia, Turquia e Irã, chegaram a um acordo nesta terça-feira para consolidar o cessar-fogo na Síria, mas poucos avanços foram feitos em vista de uma solução para o conflito ao final de uma reunião de dois dias.

Os três países concordaram em "estabelecer um mecanismo para vigiar e garantir a completa aplicação do cessar-fogo e para evitar qualquer provocação" na Síria, disse o ministro cazaque das Relações Exteriores, Kairat Abdrajmanov, ao ler declaração final adotada pelos participantes após dois dias de discussões na capital do Cazaquistão.

O mecanismo responde aos desejos do enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, e é apoiado pelos rebeldes, que esperam um congelamento das operações militares, principalmente em Wadi Barada, uma zona-chave para o abastecimento de água de Damasco, onde os combates prosseguiram na madrugada de segunda-feira. Os três países afirmaram que são a favor da participação dos rebeldes sírios nos próximos diálogos de paz, que devem acontecer em Genebra, em 8 de fevereiro, patrocinados pela ONU.

Sobre o acordo, o "grupo operacional" deve começar seu trabalho "a partir de fevereiro em Astana", com o objetivo de "supervisionar o cessar-fogo", explicou o enviado especial do presidente russo Vladimir Putin para a Síria, Alexandre Lavrentiev, considerando "globalmente positivo" o resultado dessas negociações que aconteceram, segundo ele, na presença de "especialistas militares" russos.

Além disso, a Rússia entregou um rascunho de Constituição para a Síria à delegação rebelde para acelerar as negociações políticas e terminar com o conflito, segundo informou o enviado especial do Kremlin. "Fizemos isso exclusivamente para acelerar o processo e acabar com a guerra", explicou. Contudo, uma fonte da delegação rebelde assegurou à AFP que este projeto foi rejeitado.

'Sem solução militar' Rússia, Turquia e Irã, que assumiram as rédeas do dossiê sírio ao obterem no final de 2016 um cessar-fogo entre o exército do presidente Bashar al-Assad e os grupos rebeldes, reiteraram "que não há solução militar para o conflito, que só pode ser resolvido por meio de um processo político". Desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em 30 de dezembro, a violência no país diminuiu, mas não cessou completamente.

Assim, em Wadi Barada, os combates prosseguiram na madrugada de segunda-feira, enquanto os rebeldes insistem no fato de que "o principal obstáculo ao êxito das negociações são as reiteradas violações (da trégua) e a ameaça de deslocamentos forçados em certas zonas".

"A operação do exército sírio vai continuar enquanto os terroristas continuarem a privar de água" os sete milhões de habitantes da capital, martelou, por sua vez, o negociador-chefe do regime, Bashar Jaafari. Contudo, ele saudou o fato de que "a reunião de Astana conseguiu alcançar o objetivo de consolidar o cessar-fogo por um período de tempo, mostrando o caminho para um diálogo entre os sírios".

Por sua parte, o enviado especial das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mistura, assegurou que a ONU estava "pronta para ajudar (...) no desenvolvimento do mecanismo trilateral e para garantir o reforço e a qualidade do cessar-fogo".

Dificuldades

Mas após mais de cinco anos de uma guerra que já fez mais de 310.000 mortos, a reunião de Astana mostrou que é mais fácil para Moscou obter vitórias militares, como em Aleppo - que foi completamente recuperada pelas forças sírias - do que restabelecer a paz.

Neste sentido, a declaração final do encontro não foi assinada pelas duas delegações sírias, que se recusaram a negociar diretamente. O chefe da delegação rebelde em Astana, Mohammad Allouche, acusou o regime sírio e o Irã de serem responsáveis pela falta de "progressos tangíveis" nas negociações, as primeiras organizadas desde o início da guerra entre representantes de Damasco e dos líderes militares rebeldes, à frente de milhares de combatentes.

"Até o momento, não houve nenhum progresso tangível nas negociações em razão da intransigência do Irã e do regime" sírio, acusou Allouche ao final de dois dias de negociações. Em compensação, elogiou o fato de ter a chance de falar diretamente com os russos. "Confirmamos a vontade dos rebeldes de por fim ao derramamento de sangue na Síria e seus esforços a fim de encontrar uma solução", explicou.

Paralelamente, a ONU lançou um apelo nesta terça-feira aos países doadores a fornecer 4,6 bilhões de dólares adicionais para ajudar os milhões de sírios refugiados nos países vizinhos.