Vários chefes de grupos combatentes de Misrata, a 200 quilômetros a leste de Trípoli, declararam que as forças governamentais, alvo de ataques há dois dias, haviam se retirado da cidade, estando nos bairros periféricos. "Houve confrontos no limite oeste. Restam alguns soldados escondidos na cidade, que têm medo de serem mortos, mas já não existem mais grupos de militares", precisou um dos chefes. Já o porta-voz militar do Conselho Nacional de Transição (CNT), da oposição em Benghazi, coronel Ahmed Omar Bani, advertiu que "Kadhafi não está perdendo em Misrata (...). A situação lá é um desastre. Misrata é a chave para Trípoli e se ele (Kadhafi) abandonar a cidade, abandonará Trípoli, e não é louco para fazer isto".
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Depois de violentos combates e bombardeios, que causaram pelo menos 55 mortos e mais de 200 feridos, entre o último sábado e domingo, Misrata vive uma certa calma desde a manhã de segunda-feira. Esporadicamente caem alguns foguetes e morteiros sobre algumas zonas residenciais da cidade, que causaram pelo menos nove vítimas civis. Segundo um correspondente da AFP, não se ouviam ruídos de combates. O médico Mohamed Alfagieh disse que havia corpos carbonizados, encontrando-se, também, morteiros de 155mm entre os restos de algumas casas. Os rebeldes dizem ter "limpado" o bairro central de Zuabi.
Em uma mesquita, um muezim entoava "Deus é grande, é meu único guia. Rezo há horas para acalmar as pessoas", explicou Seilam Naas, um morador de 55 anos, que perdeu dois primos em 48 horas, um em mãos de franco-atiradores e o
outro por um tiro de morteiro. Nos bairros controlados antes pelos pró-Kadhafi, o avanço dos rebeldes permitiu liberar moradores, alguns dos quais permaneceram trancados em casa durante semanas, devido aos franco-atiradores.
Em Bruxelas, a Otan anunciou ter realizado um ataque seletivo em Trípoli contra um centro de comunicações utilizado
para coordenar os ataques contra civis. Saif al Islam, filho do líder líbio, denunciou um "ataque covarde contra os escritórios de Kadhafi. Isto pode aterrorizar crianças, mas não abandonamos a batalha e não temos medo", declarou ao canal de televisão Allibiya, afirmando que o combate levado a cabo pela Otan já está perdido. À noite, três potentes explosões estremeceram o Leste da capital.
Uma coalizão internacional cumpre na Líbia, desde 19 de março passado, um mandato da ONU para acabar com a sangrenta repressão à revolta contra o regime de Kadhafi, no poder há 42 anos. No dia 31 de março, a Otan assumiu o comando das operações.