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Rebeldes líbios tomam o aeroporto de Misrata após novos combates

Tanques abandonados pelas forças leais a Kadhafi foram incendiados

Os rebeldes líbios tomaram o aeroporto de Misrata nesta quarta-feira, após violentos combates travados com as forças de Muamar Kadhafi, e obtiveram uma importante vitória no conflito contra o regime, que já dura quase três meses. As forças leais a Kadhafi abandonaram os tanques, que os rebeldes incendiaram em seguida, e nas ruas da cidade centenas de pessoas comemoravam a tomada do aeroporto.

As tropas do governo já deixaram 13 feridos entre os rebeldes, segundo um correspondente da AFP, que também viu os cadáveres de três combatentes pró-Kadhafi perto do local dos conflitos. A oeste da cidade sitiada, os rebeldes avançavam em direção a Dafnia, na estrada costeira que conduz a Zliten e, posteriormente, a Trípoli.

A tomada do aeroporto pode facilitar a evacuação de moradores ou de estrangeiros residentes em Misrata, assim como a entrega de ajuda humanitária, que até agora chega pelo mar. O porto segue nas mãos dos rebeldes, embora tenha sido bombardeado por diversas vezes. Em Trípoli, vários mísseis caíram durante a tarde no leste da cidade, sobrevoada por vários aviões, segundo uma testemunha. Por enquanto não são conhecidos os objetivos dos ataques.

A Otan assumiu no fim de março o comando das operações militares da coalizão internacional (iniciadas em 19 de março). Em dois meses, foram executados mais de 2.300 ataques sob mandato da ONU para impedir a investida das forças leais a Kadhafi contra os civis.

O regime líbio acusa a Aliança Atlântica de tentar por várias vezes matar o coronel Kadhafi, em especial durante um ataque aéreo em que morreram um de seus filhos, Saif al-Arab, e três de seus netos. Mas a Otan afirmou na terça-feira que não tem indivíduos como alvo. No entanto, o ministro italiano de Defesa, Ignazio La Russa, afirmou em entrevista publicada nesta quarta-feira no jornal Il Messaggero que todo bombardeio sobre um alvo militar em que estivesse o coronel Muamar Kadhafi seria justificado.

O líder líbio tem "até o final de maio para encontrar um acordo" com a comunidade internacional e se exilar, antes que o Tribunal Penal Internacional (TPI) emita uma ordem de prisão, acrescentou o ministro italiano das Relações Exteriores, Franco Frattini. A Itália, que ao lado da França foi um dos poucos países que reconheceu a CNT como representante legítimo do povo líbio, uniu-se ao final de abril à aliança contra o regime de Kadhafi.

Em Estrasburgo, a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, anunciou que a UE vai abrir um escritório em Benghazi, bastião dos rebeldes no leste da Líbia, para "avançar na questão da ajuda" e "apoiar a sociedade civil e a oposição representada pelo Conselho Nacional de Transição (CNT)". O anúncio foi feito no momento em que o líder do CNT, Mahmud Jibril, se encontra em visita a Washington para reuniões com autoridades americanas.

Em Genebra, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu ao primeiro-ministro líbio, Baghdadi Mahmudi, o cessar-fogo imediato dos combates "em Misrata e em outros locais" da Líbia, clamando pela continuidade do diálogo político. Desde o início da insurgência, em 15 de fevereiro, a violência já deixou milhares de vítimas, segundo o promotor do Tribunal Penal Internacional, e obrigado quase 750 mil pessoas a fugir, segundo a ONU.

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