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Rebeldes sírios começam a deixar Homs após acordo com regime

Acordo prevê que duas mil famílias abandonem o bairro, cercado nos últimos três anos pelas forças de Bashar al-Assad

Rebeldes sírios começam a deixar Homs após acordo com regime
Rebeldes sírios começam a deixar Homs após acordo com regime Foto : Louai Beshara / AFP / CP
Centenas de civis e rebeldes sírios começaram a deixar nesta quarta-feira o último bairro de Homs sob seu controle após um acordo com o regime de Bashar al-Assad, que a partir de agora controlará praticamente toda a cidade. No entanto, grande parte desta grande província do centro da Síria segue nas mãos dos insurgentes da Frente al-Nosra, o braço sírio da Al-Qaeda, que controla o leste, e do grupo jihadista Estado Islâmico, no leste, onde se localiza a antiga cidade de Palmira.

Às 12h, um comboio de dez ônibus brancos onde iam mulheres, crianças e idosos com bolsas e malas saiu da entrada noroeste do bairro de Waer. Outros cinco ônibus transportavam combatentes, alguns deles levando fuzis kalashnikovs. O comboio estava protegido por dez carros das Nações Unidas, dez ambulâncias e vários veículos do exército do regime para evitar incidentes na estrada. Entre os evacuados havia quinze feridos.

A cidade de Homs, que tinha 800 mil habitantes no início da revolta de 2011 (65% sunitas, 25% alauítas - o grupo do presidente Assad - e entre 7% e 8% de cristãos) foi palco de violentos confrontos. "O primeiro grupo abandonou Waer e o segundo o fará em breve", disse aos jornalistas o governador da cidade, Talal Barazi, que estava na entrada deste bairro, o último em mãos rebeldes.

"Entre eles há 300 homens armados que rejeitaram o acordo concluído com os líderes locais e alguns grupos armados", disse o governador. Segundo Barazi, os homens armados se dividem em três grupos: o primeiro, que deixou o bairro nesta quarta-feira, outro, que quer ficar e está negociando com o regime voltar à vida civil, e um terceiro com pessoas que irão no último comboio. Atualmente 75.000 pessoas vivem neste bairro, comparadas às 300.000 que estavam ali antes do conflito.

O acordo, supervisionado pela ONU, prevê que 2 mil rebeldes e suas famílias abandonem o bairro, cercado nos últimos três anos pelas forças do regime. No início do conflito, Homs foi a principal cidade da oposição ao regime e foi chamada de "capital da revolução". "Vamos aplicar a primeira parte (do acordo) e tudo terá terminado no fim da próxima semana", disse Barazi.

Segundo Rami Abdel Rahman, diretor da ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), em Waer havia 45 grupos armados, entre eles a Frente Al-Nosra - o braço sírio da Al-Qaeda - e vários grupos islamitas.