A prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante investida dos Estados Unidos ao país sul-americano, repercute entre venezuelanos que deixaram o país nos últimos anos e reconstruíram a vida no Brasil. Para muitos, a notícia foi recebida com alívio e esperança, mas também com cautela diante do cenário ainda instável no país de origem.
Formada em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e estrategista de marketing, Sthefania Castillo, de 30 anos, vive no Brasil desde 2016, junto com a irmã e o cunhado. Para ela, a captura de Maduro representa algo que parecia distante após anos de frustrações políticas. “Recebemos a notícia com muita alegria, assim como a maioria dos venezuelanos que ainda moram lá. Por medo, eles não podem sair às ruas para comemorar.”, relata.
Segundo Sthefania, a expectativa de uma mudança sempre esteve presente a cada eleição, mas as tentativas acabavam frustradas. Para ela, este é o principal motivo da comemoração da captura. “A gente esperava por isso há muitos anos. A cada eleição acreditávamos que alguma coisa diferente poderia acontecer, mas todas as tentativas eram frustradas e eles continuavam no poder”, explica.
Mesmo com a prisão do presidente, ela avalia que o regime ainda não chegou ao fim. “Ainda é a mesma ditadura, com os mesmos narcopoliticos. Tem muitos que ainda ocupam o poder e não querem desistir. Não sabemos o que vai acontecer daqui para frente, mas o Maduro ter sido capturado nos dá esperança de um futuro diferente”, afirma.
A venezuelana conta que os relatos que chegam da Venezuela reforçam o clima de tensão. Uma tia de Sthefania, que mora em Caracas, contou sobre explosões e disparos no dia do ataque. Já a mãe, que vive no interior do país, descreveu um cenário aparentemente normal. Ainda assim, segundo ela, há um movimento crescente de estocagem de alimentos. “O certo é que, neste momento, há uma paz mascarada no país, pois as pessoas têm medo de se manifestar, pois podem acabar presas”, diz..
Sobre os próximos passos e a possibilidade de os Estados Unidos assumirem a administração do país, Sthefania acredita que o cenário ainda é incerto. “Estamos todos aguardando os próximos acontecimentos. Existem muitas possibilidades, desde a mesma ditadura continuar no poder com os que ainda ficaram lá, até os Estados Unidos invadirem o país de forma completa. O que eu acredito que só vai acontecer se eles se negarem a uma negociação. Ambas opções são péssimas para a Venezuela”, comenta.
Para ela, a saída mais viável seria uma transição negociada. “Nós queremos ter um país livre, em que possamos escolher os nossos governantes. Mas a realidade é bem diferente da teoria”, completa.