O ministro sírio da Informação, Omrane al-Zohbi, rejeitou neste sábado as acusações da oposição armada. "Jamais utilizamos armas químicas na Síria, sob qualquer forma, líquida ou gaz", disse Al-Zohbi em entrevista ao canal de televisão Al-Mayadine, baseado em Beirute. "O Exército sírio não precisa utilizar armas químicas. Seu moral está elevado e realiza progressos diante do terrorismo. Nossas tropas avançam e os terroristas estão acuados", afirmou o ministro.
Já a oposição síria desmentiu neste sábado as acusações do regime de que teria usado armas químicas e afirmou que trata-se de uma estratégia do governo para desviar a atenção de seus próprios "crimes". "A Coalizão Nacional Síria rejeita massivamente as informações mentirosas emitidas pelo regime de (presidente Bashar al) Assad e considera que trata-se de uma tentativa desesperada para desviar atenção dos contínuos ataques contra civis".
O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) anunciou neste sábado ter contabilizado 322 mortos vítimas de "gases tóxicos" nas proximidades de Damasco na última quarta-feira, baseando-se em novos relatórios médicos."A OSDH apurou 322 mortos, dos quais 54 crianças, 82 mulheres e dezenas de rebeldes, e mais 16 corpos não identificados".
Segundo a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF), cerca de "3,6 mil pacientes com sintomas neurotóxicos" chegaram na quarta-feira a três hospitais da província de Damasco após o suposto ataque com armas químicas. "Três hospitais da província de Damasco apoiados pelos Médicos Sem Fronteiras informaram à organização internacional médico-humanitária da chegada de aproximadamente 3.600 pacientes com sintomas neurotóxicos em um período de menos de três horas durante a manhã do dia 21, dos quais 355 morreram".
Em meio à troca de acusações, a alta representante da ONU para o desarmamento, Angela Kane, chegou ao meio-dia deste sábado a Damasco para negociar os termos de uma investigação sobre o uso de armas químicas. O mandato da missão de especialistas da ONU, dirigida por Aake Sellstrm, que chegou a Damasco dia 18 de agosto, se limita a investigações sobre a utilização ou não de armas químicas este ano em Jan al Asal (norte), Ataybe (próximo de Damasco) e Homs (centro). Contudo, depois dos últimos acontecimentos, a comunidade internacional pediu que esses especialistas possam ir o quanto antes ao local do ataque para verificar as acusações.