O Reino Unido alertou nesta quinta-feira (17) que um reconhecimento formal por parte de Moscou das zonas separatistas pró-russas do leste da Ucrânia constituiria um "novo ataque à soberania e à integridade territorial" da antiga república soviética.
Se o presidente russo, Vladimir Putin, aceitar o pedido do Parlamento russo de outorgar este reconhecimento, isto significaria ainda que a Rússia preferiu "a via do confronto à do diálogo" para desativar as tensões em torno da Ucrânia, afirmou em um comunicado a titular do Foreing Office, o ministério britânico das Relações Exteriores, Liz Truss.
"O pedido da Duma [câmara baixa do Parlamento] para que Putin reconheça a independência das regiões ucranianas de Donetsk e Lugansk denota um menosprezo flagrante dos acordos de Minsk", acrescentou.
Estes acordos, assinados em 2014 e 2015 com mediação internacional, buscaram pôr fim aos combates na região do Donbass, que inclui as províncias separatistas pró-russas de Donetsk e Lugansk, e constituem até agora o único marco de resolução pacífica do conflito. "Instamos a Rússia a pôr fim a seus padrões de conduta desestabilizadores e a cumprir os compromissos que subscreveu livremente, incluindo os acordos de Minsk", prosseguiu a chefe da diplomacia britânica.
O pedido da Duma, na terça-feira, ocorreu em um contexto de tensões extremas pelas suspeitas ocidentais de que a Rússia prepara uma invasão da Ucrânia.
Desde a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014, o exército ucraniano enfrenta os separatistas pró-russos no leste, em um conflito que provocou mais de 14.000 mortos. Neste período, Moscou concedeu passaportes russos a centenas de milhares de residentes desta região.
O secretário de Estado americano, Antony Blinken, também considerou nesta quarta-feira que a proposta da Duma "constituiria uma grave violação da lei internacional".