O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse nesta terça, 29, que o Reino Unido reconhecerá o Estado palestino em setembro, ao lado da França, a menos que Israel adote medidas para amenizar a epidemia de fome na Faixa de Gaza, incluindo um acordo de cessar-fogo com o Hamas.
A ameaça foi feita dias depois da decisão do presidente francês, Emmanuel Macron, de reconhecer a Palestina na abertura da Assembleia-Geral da ONU, em setembro. O francês, no entanto, não usou a decisão como uma forma de pressionar o governo israelense, como fez Starmer.
Se mantiver a promessa, a França se tornará o primeiro país do G-7 a reconhecer a independência palestina. 'Sempre disse que reconheceremos um Estado palestino como uma contribuição a um verdadeiro processo de paz, no momento de máximo impacto para a solução de dois Estados', afirmou Starmer. 'Com essa solução agora sob ameaça, este é o momento de agir.'
Dissidência
Ontem, Israel sofreu críticas de duas direções inusitadas. A primeira veio por meio de uma carta assinada por mais de 30 artistas e intelectuais israelenses, expressando vergonha e indignação, pedindo sanções contra Israel.
'A comunidade internacional deve impor sanções severas a Israel até que o país ponha fim a esta campanha brutal e implemente um cessar-fogo permanente em Gaza', diz a carta.
- Governo Trump anuncia revogação de política climática dos EUA
- Alerta de tsunami no Pacífico após tremor de magnitude 8 perto do litoral russo
- Atirador que matou 4 em Nova York tinha NFL como alvo
- Haddad: Lula não se comportará como Bolsonaro, abanando o rabo e dizendo “I love you” a Trump
Outra defecção veio da deputada republicana Marjorie Taylor Greene, que se tornou a primeira trumpista a classificar a guerra em Gaza como um 'genocídio'.
'É mais fácil dizer que o dia 7 de outubro de 2023 em Israel foi horrível e todos os reféns devem ser libertados, mas o mesmo se aplica ao genocídio, à crise humanitária e à fome que estão ocorrendo em Gaza', afirmou Greene, considerada uma radical de direita.
Ontem, 17 países, entre eles Brasil e México, pediram na ONU o desarmamento do Hamas e defenderam a solução de dois Estados, em uma conferência promovida por França e Arábia Saudita - sem a presença de EUA e Israel.
O chanceler francês, Jean-Noël Barrot, celebrou o fato de ter sido a primeira vez que países árabes condenam o Hamas e pedem sua exclusão de qualquer forma de governo da Palestina.