O representante Peter King anunciou, no final de uma reunião a portas fechadas do grupo republicano, que submeterão três medidas ao voto da Câmara nesta terça-feira, de forma a pôr fim à paralisia em certas áreas: os parques, museus e monumentos nacionais; o departamento dedicado aos veteranos de guerra; e as operações para financiar o funcionamento da capital federal, que não tem orçamento autônomo.
Os democratas, com maioria no Senado, seguem o discurso taxativo. "Há muitas agências para reabrir e sugiro que todas sejam reabertas", disparou o legislador democrata Richard Durbin. A Câmara de Representantes, controlada pelos republicanos, pediu ao Senado, com maioria democrata, a convocação de uma espécie de comissão mista paritária, composta pelo mesmo número de representantes e senadores, para tentar conseguir um acordo que permita financiar o Estado federal durante algumas semanas. O Senado rejeitou a proposta nesta terça-feira, considerando que se tratava de uma manobra para dilatar o tempo de discussão sem resolver as necessidades do país e exigiu a rápida adoção de um projeto de lei de finanças simples de seis semanas de duração.
Nenhum legislador aposta em uma solução rápida da divergência. Os escritórios do Capitólio se esvaziaram na metade do dia, enquanto várias entradas das instalações do Congresso foram fechadas. "Isso não poderá durar muito, os norte-americanos estão muito furiosos", considerou o ex-candidato republicano à presidência, John McCain.
O presidente americano, Barack Obama, acusou nesta terça-feira os republicanos de lançarem uma "cruzada ideológica" e pediu que ponham fim ao bloqueio dos serviços do governo federal, que deixou 800 mil funcionários públicos em férias forçadas. "Paralisaram para negar cuidados de saúde acessíveis a milhões de americanos", disse o mandatário. Vários serviços públicos ficaram sem atendimento pela primeira vez em quase 18 anos, após o fracasso das negociações entre republicanos e democratas no Congresso para aprovar o orçamento para o exercício fiscal 2013-2014.
A situação pode ficar ainda mais grave dentro de duas semanas, caso não haja um acordo político sobre o teto da dívida. Quase 800 mil funcionários públicos considerados não-essenciais, de um total de 2 milhões, terão que permanecer em casa sem salário até nova ordem. Além disso, parques nacionais, museus e monumentos estão fechados, incluindo a emblemática Estátua da Liberdade. "Aprovem um orçamento e acabem com a paralisia", exigiu Obama.