Os adversários republicanos do presidente norte-americano Barack Obama já qualificaram de inconstitucional o projeto de regularização de 5 milhões de imigrantes ilegais anunciado nesta sexta-feira e prometeram travá-lo no Congresso e na Justiça.
"Não é assim que a nossa democracia funciona", afirmou o presidente da Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner. "O presidente disse anteriormente que não era um rei nem um imperador, mas comporta-se como tal", criticou. As medidas propostas "são inconstitucionais e ameaçam a democracia", observou o representante republicano Michael McCaul.
O procurador do Texas, governador a partir de janeiro, anunciou nessa quinta-feira que levará o caso à Justiça. "Os texanos têm verificado diretamente os custos e consequências da política ditatorial de Obama em matéria de imigração", declarou Greg Abbott, em comunicado. "Estou pronto para desafiar imediatamente o presidente na Justiça, com o objetivo de restabelecer a soberania e garantir um Estado de Direito", acrescentou.
Declarações semelhantes vieram do Congresso, onde o senador republicano John McCain e outros parlamentares falaram da possibilidade de contestar as medidas no tribunal. "Temos a obrigação e a responsabilidade de combater esses abusos de poder flagrantes, que não resolvem quaisquer problemas", disse Kevin McCarthy, líder da maioria republicana da Câmara.
Medidas foram bem recebidas nos EUA e em outros países
O anúncio da regularização de 5 milhões de imigrantes nos Estados Unidos pelo presidente Barack Obama, uma medida há muito esperada no país, foi recebido com alívio e alegria. "Já não temos de andar escondidos, nem com medo da deportação", disse a hondurenha Yeisy Alcântara, que manifestou esperança de que as novas regras consigam impedir que o seu marido, atualmente em um centro de detenção, seja enviado de volta a Honduras.
Grupos de defesa dos direitos dos imigrantes reuniram-se nessa quinta-feira à noite para ouvir o discurso de Obama, que ofereceu a possibilidade de legalização de, pelo menos, 5 milhões, dos 11 milhões de pessoas que vivem no país sem documentos. "Obama está hoje pagando uma dívida com a comunidade imigrante", disse a ativista Nora Sandigo. Ela lembrou que não se trata ainda de uma reforma migratória, apesar de ser um passo que estabelece agilidade ao Congresso.
A ex-secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton defendeu o plano de Barack Obama e apelou aos republicanos para que aprovem toda a reforma no Congresso. "Ao abdicar das suas responsabilidades, a Câmara dos Representantes abriu caminho para essa ação executiva, seguindo os precedentes de presidentes de ambos os partidos há várias décadas", destacou Hillary em um comunicado intitulado Apoio à Decisão do Presidente.
Republicanos criticam regularização de imigrantes nos EUA
Procurador do Texas, eleito governador, pretende levar caso à Justiça