A reunião de emergência realizada nesta quinta-feira pelo Grupo Internacional de Apoio à Síria, em Nova Iorque, terminou sem um acordo para restabelecer o cessar-fogo no país, enquanto as forças do regime avançam em Aleppo. O secretário-americano de Estado, John Kerry, disse ao sair do encontro que não foi possível restabelecer a trégua - que vigorou durante uma semana e acabou na segunda-feira passada - diante da incapacidade da Rússia de prometer que a aviação síria interromperá seus bombardeios contra áreas urbanas.
A reunião, de emergência, foi convocada diante do recrudescimento dos combates e dos bombardeios praticamente em todas as frentes na Síria, especialmente na devastada cidade de Aleppo, onde segundo denúncias foram lançadas bombas de fósforo. "A pergunta já não é se há qualquer possibilidade real de se avançar, porque está claro que não podemos prosseguir mais por este caminho", lamentou Kerry ao final do encontro, acrescentando que é preciso "restabelecer a credibilidade do processo, se isto ainda for possível".
Para o chefe da diplomacia americana, é fundamental que "aqueles que têm poderio aéreo nesta parte do conflito simplesmente deixem de usá-lo". O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Marc Ayrault, disse à imprensa que a resposta oferecida pela Rússia à comunidade internacional sobre a interrupção das operações aéreas é "insatisfatória". "Exigimos que a aviação síria permaneça em terra", declarou Ayrault, acrescentando que as conversações do Grupo Internacional de Apoio à Síria devem prosseguir.
Kerry informou que negociadores de Estados Unidos e Rússia têm previsto uma nova rodada de contatos nesta sexta-feira. O enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, parecia pouco otimista ao final de um encontro que qualificou de "longo, doloroso e decepcionante".
A última trégua, negociada entre Moscou e Washington, fracassou na segunda-feira e há novamente combates em todas as frontes, em um país que está há mais de cinco anos em guerra e que já contabilizou 300.000 mortos.
O Exército sírio anunciou o início de uma ofensiva na parte rebelde da cidade de Aleppo, no norte da Síria, com o objetivo de retomar o setor. "O comando das operações militares informa o início de suas operações nos bairros do leste da cidade [controlados pelos rebeldes] e pede aos habitantes que se afastem das posições dos grupos terroristas".
A segunda principal cidade e antiga capital econômica da Síria está dividida desde 2012 em setor oeste, em poder do regime, e os bairros do leste, controlados pelos rebeldes. O Exército informou que os cidadãos dos bairros rebeldes que se apresentarem aos pontos de controle na linha de demarcação não serão detidos, e destacou que adotará "todas as medidas para facilitar o acolhimento de civis" procedentes do lado insurgente.
O correspondente da AFP na parte rebelde de Aleppo, que escutou bombardeios durante toda esta quinta-feira, observou uma dezena de famílias fugindo de Sukari para outros bairros rebeldes, mais ao norte.
Reunião de emergência sobre conflito na Síria termina sem acordo
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