O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que agora os Estados Unidos possuem "amizade" com nações da América Latina. Contudo, ele citou o Brasil entre os Países que considera exceções. A declaração foi dada durante depoimento ao Comitê de Relações Exteriores do Senado, nesta terça-feira.
Rubio detalhou que, com exceção da Nicarágua, de Cuba, da Venezuela e do Brasil — "embora esteja no meio de um ciclo eleitoral" —, e em certa medida do atual governo da Colômbia, a região é repleta de aliados e líderes amistosos aos Estados Unidos. Ele ressaltou uma direção favorável aos interesses americanos.
Política externa americana
O secretário de Donald Trump afirmou ainda que a política externa dos Estados Unidos é focada "na soberania americana" e continua a ser orientada pela força nacional. "Acreditamos que os EUA deveriam dominar o mundo. Continuamos sendo o País mais poderoso do mundo", disse ele.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou Rubio, ontem. Segundo o petista, o secretário é contrário à América Latina e ao Brasil. "A família (Bolsonaro) foi conversar com o Marco Rubio. Porque aquela fotografia que tiraram... Vocês viram? Aquilo era fotografia de campanha. Mas eles foram encontrar o Marco Rubio. E eu soube da notícia de que o comércio americano resolveu taxar o Brasil em 25%", declarou Lula, em Catalão (GO).
Senador envia carta
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, afirmou ter enviado uma carta a Rubio pedindo que os EUA desistam de novo tarifaço. "A imposição de novas tarifas causaria sérios prejuízos ao povo brasileiro - os mesmos cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e um amigo. Portanto, escrevo para reiterar, formalmente, o pedido que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil", diz o senador no documento que afirmou ter direcionado ao secretário de Estado.
O ofício em inglês menciona a visita recente a Washington e evoca o potencial da "amizade entre as duas nações". A carta também agradece a Rubio pela designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em seguida, Flávio manifesta preocupação com a tarifa.
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Prejuízos econômicos
O senador argumenta que o momento econômico brasileiro torna a medida danosa e cita indicadores como a dívida pública bruta superando 80% do PIB pela primeira vez desde a pandemia. Ele também menciona 81,7 milhões de brasileiros inadimplentes e 2.466 empresas em recuperação judicial em 2025.
Na parte final, Flávio reitera formalmente o pedido que diz ter feito pessoalmente a Rubio para que os EUA não apliquem tarifas ao Brasil. O senador afirma ainda que, se eleito presidente, apresentará uma equipe de transição imediatamente para negociar amplo acordo comercial entre os dois Países. ""God bless America, and God bless Brazil (Deus abençoe a América, e Deus abençoe o Brasil, em tradução livre)"", encerra a carta assinada por Flávio.
Ingerência em temas internos
Em nota divulgada ontem, a Secretaria de Comunicação Social afirmou que o governo brasileiro manifesta indignação com a conclusão preliminar relativa à investigação da Seção 301 contra alegadas práticas comerciais desleais do Brasil. Segundo a pasta, essa investigação teve início em julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e "está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso País".
"Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais. É lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares", afirmou a Secom.
A Secom afirmou ainda que o "principal efeito das tarifas unilaterais, politicamente motivadas", aplicadas ao Brasil "tem sido impor danos à economia nacional e à geração de emprego e renda, além de diminuir o papel dos EUA como nosso parceiro comercial". No primeiro trimestre de 2026, a participação dos EUA nas exportações brasileiras atingiu 9,4%.