A Rússia condenou, nesta terça-feira (20), a denúncia e o mandado de prisão emitidos pela Justiça da Flórida contra o ex-presidente cubano Raúl Castro, e classificou as acusações como "infundadas e falaciosas".
A Promotoria do estado da Flórida anunciou, na segunda-feira, ter apresentado acusações de homicídio contra Raúl Castro, relacionadas à derrubada de dois pequenos aviões em 1996.
"A emissão, por um juiz de Miami, de um mandado de prisão contra o dirigente histórico de Cuba (...) suscita uma rejeição categórica e uma firme condenação", declarou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia em um comunicado. "Apresentar acusações infundadas e falaciosas mais de 30 anos após os fatos só pode ser interpretado como uma vingança do lobby anticubano de Miami, decidido a acertar contas com Raúl Castro", acrescentou.
Moscou reafirmou sua "solidariedade inabalável com o governo cubano" e assegurou sua intenção de "continuar fortalecendo as estreitas relações" entre os dois países. Em 24 de fevereiro de 1996, dois caças cubanos derrubaram dois aviões de pequeno porte da organização "Hermanos al Rescate".
No ataque, morreram os quatro tripulantes da organização, que pretendia ajudar cubanos que viajavam em balsas a chegar à Flórida. Naquele momento, Raúl Castro, hoje com 95 anos, era ministro da Defesa de Cuba.
A acusação contra ele surge em meio a tensões entre Cuba e Estados Unidos. O governo do presidente republicano, Donald Trump, aumentou a pressão diplomática e econômica sobre a ilha comunista por meio de novas sanções e um bloqueio ao petróleo.